Sem medo do Medo

Estar de quarentena ou em isolamento social, pode ser uma experiência particularmente difícil. Sobretudo quando as crianças também estão em casa, 24 horas por dia. Até que ponto é que a falta de acesso à cultura e ao lazer nos pode ajudar a deprimir? Como gerir as emoções em família? Como preparar as crianças para notícias tristes? A TSF, em parceria com a Ordem dos Psicólogos, vai dar resposta aos desafios que se colocam a todos nós, neste período particularmente difícil.
De segunda à sexta, às 9h30, um psicólogo responde às perguntas de Teresa Dias Mendes e desenvolve em tsf.pt as várias perspectivas sobre os danos colaterais desta pandemia.

Impacto da COVID-19 nas pessoas em situação de sem abrigo

Vivemos um contexto que está a afetar todas as pessoas e sociedades, a nível global, mas, como na maioria das situações extremas, são os públicos mais vulneráveis os mais atingidos.

A pandemia veio afetar de forma muito direta as pessoas que se encontram em situação de sem abrigo (PSSA), muito pelo facto de não se poderem proteger como os restantes públicos. A melhor forma de segurança e proteção neste contexto - ficar em casa - é algo que lhes é impossível. Este público viu muitos dos apoios que recebia serem significativamente reduzidos ou mesmo cessados pelas organizações que os prestavam. Também as suas estratégias de sobrevivência ficaram inacessíveis, porque os serviços fecharam e as ruas ficaram desertas. Até a mendicidade deixou de ser possível. Quem reside em centros de abrigo corre também um risco maior de infeção, pelas condições generalizadas de sobrelotação, inexistência de instalações de isolamento e impossibilidade de cumprir distâncias de segurança.

Por outro lado, na cidade de Lisboa, foram criadas, ou antecipadas, respostas para as PSSA que visam melhorar as suas condições de vida, como centros temporários, a implementação, de forma massificada, do programa Housing First, que estava projetado ser implementado até 2023 e que acreditamos que pode erradicar as situações crónicas de sem abrigo, e os programas de gestão de consumo de álcool. Temos também testemunhado a mobilização da sociedade civil em torno de quem se manteve no terreno, apoiando com géneros, voluntariado e donativos monetários.

Com a criação destas respostas, acredito que muitas pessoas terão uma melhoria significativa das suas condições de vida.

*Américo Nave, psicólogo e Diretor Executivo da CRESCER - Associação de Intervenção Comunitária

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