Sem medo do Medo

Estar de quarentena ou em isolamento social, pode ser uma experiência particularmente difícil. Sobretudo quando as crianças também estão em casa, 24 horas por dia. Até que ponto é que a falta de acesso à cultura e ao lazer nos pode ajudar a deprimir? Como gerir as emoções em família? Como preparar as crianças para notícias tristes? A TSF, em parceria com a Ordem dos Psicólogos, vai dar resposta aos desafios que se colocam a todos nós, neste período particularmente difícil.
De segunda à sexta, às 9h30, um psicólogo responde às perguntas de Teresa Dias Mendes e desenvolve em tsf.pt as várias perspectivas sobre os danos colaterais desta pandemia.

O trabalho ou a vida?

Na vida de cada um de nós existem sempre várias dimensões que, desde muito cedo, sentimos necessidade e somos estimulados a explorar e que contribuem para a construção da nossa identidade.

É, então, no exercício da nossa existência, que podemos assumir diferentes papéis que alimentam facetas distintas mas integradas do nosso Eu, como ser filho, ou amigo, ou estudante, ou mãe ou pai ou profissional...

Conciliar os diferentes papéis que vamos assumindo na vida nem sempre é fácil, podendo recordar-nos de inúmeros momentos em que sentimos stresse por não estarmos a ser capazes de responder às exigências de cada um deles ou pelas nossas expectativas quanto ao desempenho que idealizamos ter.

Algum desse stresse pode até ter sido positivo, porque confinado em intensidade e no tempo e porque nos permitiu aprendizagens importantes sobre nós mesmos, os nossos limites e potencialidades ou sobre os outros, permitindo-nos agir, desenvolver ou corrigir alguns aspetos.

Na vida adulta, o trabalho tem um lugar central para a grande maioria, possibilitando a identidade pessoal, uma oportunidade para contribuir significativamente para a vida em comunidade e para a construção diária de sentido e propósito - fatores relevantes para a saúde (psicológica) - para além de permitir a obtenção de rendimentos, inalienáveis para a satisfação de necessidades básicas como alimentação e habitação.

No entanto, e por um conjunto de vários fatores tantas e tantas vezes mal geridos, associados à forma como o trabalho pode estar organizado, às tarefas laborais ou à estrutura das organizações o trabalho pode ter um impacto muito negativo na saúde (física e psicológica) dos trabalhadores, gerando stresse ocupacional, adição ao trabalho, síndrome de burnout e doenças físicas que contribuem para o aumento da mortalidade.

Tal como nesta pandemia em que não devemos ter de escolher entre a saúde ou a economia também não deveríamos escolher entre o trabalho e a vida, pois ambas se intersetam.

*Teresa Espassandim, Membro da Direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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