Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Caminhar, direito humano

Jan Gehl, o urbanista dinamarquês que devolveu a Times Square de Nova Iorque aos peões, falou há dias, através de videoconferência, sobre o modo como, ao sacudirmos as amarras da pandemia, fomos regressando aos parques, às caminhadas reconfortantes nos parques urbanos.

Jan Gehl estava em Valência, a cidade dos jardins e dos parques. Podemos imaginar que caminhou com o catalão Ricardo Bofill pelos enredos mágicos dos jardins do Turia, ou que se perdeu entre os roseirais e as trepadeiras dos jardins de Monforte. Valência é uma perdição e, apesar dos seus 84 anos, o homem que afastou os automóveis do centro de Moscovo não deve passar os dias fechado a sete chaves, escrevendo, ainda que escrever seja uma forma de caminhar.

Noventa e oito livros publicados em mais de quarenta idiomas (a maior parte deles escritos na última década), eis uma caminhada poderosa, uma quase corrida contra o tempo. É como se Jan Gehl perseguisse uma ideia forte. Ao que leio no El Pais, talvez essa ideia se possa traduzir na fórmula que ele utilizou, agora, em Valência: "Caminhar deveria ser considerado um direito humano".

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