Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

A camisola

Uma notícia madrugadora da Lusa despacha em quatro parágrafos o rol de jornalistas assassinados no México desde que Lopez Obrador iniciou o mandato, em Dezembro de 2018. São 43 os jornalistas passados pelas armas dos cartéis das drogas ou vitimados a mando de poderes corruptos. No mesmo período foram assassinados 68 activistas dos direitos humanos e da causa ambiental. Aquando da posse, Obrador prometeu proteger os jornalistas mas a notícia da Lusa esclarece que nove dos que foram assassinados estavam no programa de protecção. É obra, Obrador.

Há dias, a Deutsche Welle fazia o balanço de duas décadas de impunidade: 120 jornalistas mexicanos assassinados nos últimos 20 anos. Metade desses assassinatos ocorreu desde 2012. Basta fazer as contas para perceber que a matança tem vindo a crescer e há quem tema pela aproximação das eleições no México, lembrando que Obrador não morre de amores por jornalistas independentes.

Há uns anos, em Havana, havia no grupo de jornalistas em que me incluía, um que, certa vez, vestiu uma camisola com os dizeres "Não disparem, sou jornalista". Era mexicano. Confrontado com estes números, não creio que aquela frase na camisola, contundente na denúncia implícita, fosse, no seu país, uma maneira avisada de salvar a pele. Mas era, já, na sua ironia desesperada, um pedido de socorro.

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