Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

A força do peixe é a água

O guineense Viriato Cassamá, engenheiro do Ambiente pela Universidade Nova de Lisboa, investigador na área da deteção remota das alterações do coberto do solo e da cartografia da vegetação, atual ministro do Ambiente e da Biodiversidade do seu país conversa em Bissau com o correspondente da Lusa, em vésperas de viajar para a Lisboa onde vai participar na Conferência dos Oceanos.

Cassamá faz o seu sermão ao peixe graúdo, evitando referências a seres de esqueleto cartilaginoso ou a outro tipo de predadores, lembrando que "os peixes não conhecem fronteiras". O desejo expresso pelo governante da Guiné-Bissau é o de que, a partir da Conferência de Lisboa, se passe a falar "a uma só voz" e se estabeleçam parcerias "robustas" em que todos ganhem. Cassamá é um veterano de cimeiras do clima e ainda recentemente, em Glasgow, lembrou que a África é o continente menos poluente, motivo pelo qual se afigura ainda mais inaceitável que seja também o mais atingido pelas alterações climáticas, com o rol de secas, inundações e outros fenómenos ambientalmente muito agressivos.

Podemos imaginar o governante da Guiné-Bissau abrindo os braços quando diz: "A natureza deu-nos tudo". Ele explica que a conjugação das correntes frias das Canárias com as correntes quentes do Golfo da Guiné transforma as águas da Guiné-Bissau numa das mais ricas em recursos pesqueiros.

Onde quase tudo falha, sublinha o ministro guineense, é na capacidade de fiscalização dos mares, na capacidade científica e financeira para identificar e proteger esses recursos.

Talvez o ministro possa encontrar na magnífica compilação de provérbios do crioulo guineense feita há tempos por Hildo Honório do Couto, um linguista da Universidade de Brasília, uma ideia forte para sensibilizar os conferencistas quanto à urgência de uma estratégia a uma só voz. De uma rápida consulta a essa compilação recolhi este provérbio: "A força do peixe é a água".

Aqui o deixo, flor na lapela de uma intuição: talvez um critério de aferição dos resultados da Conferência dos Oceanos se obtenha cuidando de saber quantos novos apoios e novas parcerias leva Cassamá para defender o que a natureza deu ao seu país.

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