Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

A liberdade é uma maluca?

António Costa já tinha ensaiado, há uns dias, a propósito do berbicacho orçamental, umas estrofes de Jorge Palma. Ontem, no parlamento, foi como se dissesse: "Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar". Regressou a Jorge Palma, rematando uma intervenção da tribuna: "Enquanto houver ventos e mar / a gente não vai parar".

Rio rangelou gestos teatrais na bancada, vaticinando que o ainda chefe do governo "vai ter de andar à pesca para aprovar o orçamento".

Conseguirá Costa o "Milagre dos Peixes"? Introduzo deliberadamente o título de um disco central da obra de Milton Nascimento porque o grande cantor e compositor, agora à beira dos 80 anos, acaba de anunciar a digressão de despedida dos palcos.

Costa ainda está longe dos 80 anos e não anunciou a própria despedida, pelo contrário. "Eu não me demito", disse o primeiro ministro e isso não supõe um adeus aos palcos. Mas poderia ter dito, acentuando acordes ou rimas, como se balizasse "Encontros e Despedidas": " Coisa que gosto é poder partir/Sem ter planos/Melhor ainda é poder voltar/Quando quero...".

Porque, vendo bem, "Todos os dias é um vai-e-vem/A vida se repete na estação/Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai/Pra nunca mais...".

E poderiam cantar pelos dedos a dança dos votos, até à votação final é pescaria, digo eu, caçador de mim. Estamos nos "Bailes da Vida". Mas, aqui chegados, cantar será ainda "buscar o caminho/ que vai dar no Sol"?

Ontem ficou claro que "Nada será como antes". Todos pareciam dizer, por outras palavras: "Eu já estou com o pé nessa estrada, /qualquer dia a gente se vê./ Sei que nada será como antes, amanhã ". Por vezes, parece que todos estão ainda "Conversando num bar": "Em volta dessas mesas,/ existe a rua vivendo seu normal".

A rua, em volta dessas mesas, escuta e não entende, como se a canção do Palma ficasse moída na espira atónita. A liberdade é uma maluca?

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