Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

A nova mutuca

Parece que o Equador é o paraíso das mutucas, dípteros da família dos moscardos. Há uma duzentas espécies delas. E muitas povoam igualmente a Amazónia peruana e a floresta da Bolívia. Mas o Equador tem dado aos entomologistas mais variantes destes zumbidos voadores. E eis que acaba de ser descoberto um novo tipo de mutuca ao qual foi dado o nome cientifico de Acanthocera buestani, em homenagem ao grande investigador equatoriano de mutucas Jaime Buestán. Esta nova mutuca pertence a um subgénero de mutucas travestis, camaleónicas, imitadoras de vespa. Moldam a cinturinha e o corpo todo para confundirem não se sabe que inimigo. Há-de ser este um talento raro entre as mutucas, merecendo até referência no anúncio da descoberta feito ontem pelo Ministério do Ambiente, em Quito. Mutuca com cinturinha de vespa, tão distinta no seu disfarce de vespa, tão inesperada entre as duzentas espécies de triviais mutucas espalhando a picada dolorosa na pele avulsa de qualquer mamífero, a notícia da sua chegada atravessa amazónias, mares e madrugadas e poisa em qualquer porcaria como esta mesa em que trabalho.

Que queres de mim, mutuca? Que te chame vespa? Digo-te o que outro Fernando escreveu a Ophélia: "Serás vespa mas não és minha." Nessa carta a Ophélia, Pessoa, fingindo-se zangado, terminava chamando-lhe "Vespa, vespíssima". Agora tenho de te sacudir daqui, Mutuca mutuquíssima...

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