Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Acima, abaixo

Anteontem, as coisas estavam assim em Bissau: o presidente Umaro Embaló fazia saber que, em nenhuma circunstância, nomeará Domingos Simões Pereira para o cargo de primeiro-ministro. Nunca tal acontecerá, sublinham no palácio. Por que razão? "Por razões constitucionais."

Quais são essas razões, oficialmente assumidas pelo presidente? Simões Pereira não o reconhece como Chefe do Estado.

Já não bastava ao actual líder do PAIGC a barragem que lhe vai ser levantada no seu próprio partido, no congresso, daqui a um mês. Cinco dirigentes, entre eles um antigo primeiro-ministro, divulgaram uma carta aberta na qual alertam o actual líder para a necessidade de o PAIGC "protagonizar uma solução governativa", estancando a sangria desatada que, desde as eleições de 2019, lhe subtraiu 20 deputados.

Talvez quem me ouça esteja a fazer construções mentais procurando alguma, ainda que enviesada, similitude, tendo em conta os dislates que se vão ouvindo entre debates e arruadas.

O argumento mais poderoso do presidente Embaló parece despido de almofada constitucional: ele queixa-se de que Pereira o não reconhece como presidente. Em Bissau, como fica claro, as relações pessoais atrapalham o entendimento institucional. Por isso, Embaló garante que felicitará o vencedor das próximas eleições, ainda que esse vencedor seja Domingos Simões Pereira, porque "o presidente está acima dos partidos políticos". Mas, se o vencedor for Domingos Simões Pereira, não lhe dará posse. Pela mesma razão.

A interpretação da palavra "acima" parece ficar demasiado abaixo dos pressupostos constitucionais. Olha se a moda pega...

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