Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

As cenas do ódio

Ontem, ao fim da noite, as coisas estavam neste pé: ou o Vox apagava a alarvidade escarrapachada no Twitter contra a socialista Adriana Lastra ou continuaria sem acesso à sua própria conta na rede social. O partido da extrema-direita espanhola (o mesmo que, há dias, "anexou" Portugal a Espanha, num mapa publicado no Twitter) fora bloqueado por "incitação ao ódio". A porta-voz socialista escrevera, na mesma rede, que os do Vox "não suportam o colectivo LGBTI, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a igualdade entre mulheres e homens, não suportam que as suas ideias retrógradas não sejam as de toda a sociedade".

Os apaniguados de Santiago Abascal responderam com as vírgulas do costume: "O que não suportamos é que os acolhais em nossa casa e nos digais como temos de viver e como temos de educar os nossos filhos. E muito menos que, com o dinheiro público, promovais a pederastia".

É como se nos chamassem para o primeiro verso da Cena do Ódio. Mas este ódio não é, como no poema de Almada, "lanterna de Diógenes".

É claro que já se erguem vozes proclamando o joelho em terra do Twitter face à pressão do Governo espanhol. Mas essas são as vozes que transportam "as sete pragas sobre o Nilo e a alma dos Bórgias a penar".

Os espanhóis terão escutado, ontem, as palavras sensatas do seu rei, chamando a comunidade internacional para o combate aos que promovem a intolerância "por interesse político, extremismo religioso ou ódio racial".

Falando no V Fórum Mundial sobre o Holocausto, Felipe VI proclamou que "não há lugar para a indiferença face ao racismo, à xenofobia, ao discurso do ódio, ao anti-semitismo". Não há lugar para.

Entretanto as feiticeiras, "a galope na vassoura", largam os seus "lagartos" e a "Peçonha".

Num artigo publicado em Julho do ano passado, António Guterres lembrava que o ódio se está movendo, quer nas democracias liberais, quer nos regimes autoritários. E referia a sombra que o ódio vai lançando sobre "a nossa humanidade em comum".O secretário-geral das Nações Unidas escreveu, então, que "enfrentar o discurso de ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão".

Eis o dilema. Como deveremos lutar contra ele sem abrir alçapões que esconjuramos?

"Não te odeies ainda qu'inda agora começaste! Enoja-te no teu nojo. Mastodonte."

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