Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Asa do Vento

Luiz Vieira, pernambucano de Caruaru, autor da música "Na Asa do Vento", gravada por Caetano, acaba de morrer, no Rio. Tinha 91 anos e os jornais brasileiros lembram em meia dúzia de parágrafos o que fez dele alguém tão importante que chegou a ser chamado "príncipe do baião". Luiz Vieira preferia que lhe chamassem "cantador". Mas, na verdade, este antigo camionista e engraxador criou mais de 500 canções, algumas delas regravadas pelos grandes, de Caetano a Luiz Gonzaga, de Betânia a Nara Leão.

Esta canção lembra que a rosa amarela quando murcha perde o cheiro, tal como o amor, esse bandoleiro. "É fulô que não tem cheiro e todo mundo quer cheirar."

"Na Asa do Vento" bate as asas das palavras de João do Vale, outro grande, amigo de Chico. Chamavam a João do Vale, parceiro de Luiz Vieira nesta canção, "poeta do povo". João foi o autor de "Carcará", morreu em 1996 no anonimato e na miséria. "Carcará, mais coragem do que homem."

A voz de Caetano lança de novo a canção de ambos nas asas do vento. É uma canção que pede, com palavras escritas ao arrepio dos dicionários, uma audição cuidada. Aquele que agora "assube nos aro" para ir brincar no vento leste, diz ao nosso ouvido: " A ciência da abeia, da aranha e a minha /muita gente desconhece".

Puxemos o fio da teia na asa do vento.

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