Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Bombos, adufes, vozes antiquíssimas

Jaime Lopes Dias é um nome maior da etnografia portuguesa. A Minerva editou nos anos 60 uma boa dezena de volumes com o levantamento de contos tradicionais, lendas, cancioneiro, costumes da Beira Baixa. É um grande fresco da vida e do saber do povo desse mais fundo interior rural português.

Jaime Lopes Dias nasceu em finais do século XIX, numa aldeia do concelho de Penamacor, então chamada Vale de Lobo. É o actual Vale da Senhora da Póvoa, lugar de romaria tão popular como a da Senhora do Almortão, em Idanha-a-Nova. Este é o território do estudioso que foi professor em Castelo Branco, oficial do registo civil em Penamacor, notário em Idanha-a-Nova. Nos anos 40, Jaime Lopes Dias dirigiu os serviços culturais da Câmara de Lisboa. Na capital, esteve à frente da Revista Municipal, mas o seu tema de vida foi a Beira Baixa. A sua acção foi determinante, por exemplo, na criação do Museu Tavares Proença Junior, em Castelo Branco. A sua menina dos olhos foi a etnografia e dessa paixão fica abundante edição assegurada ao longo de anos pela Câmara de Idanha-a-Nova. Publicou na Férin, nos anos 30, um livrinho com a reprodução integral de um espectáculo realizado em 21 de Novembro de 1935, em Castelo Branco. Passam amanhã 85 anos sobre a realização dessa maratona pelo cancioneiro musical da Beira Baixa.

O livro que a perpetua tem por título "A Beira Baixa ao microfone da Emissora Nacional de Radiodifusão". Este é o enquadramento para o Festival Jaime Lopes Dias que o município de Penamacor e a junta de freguesia de Vale da Senhora da Póvoa organizam on line ao longo deste fim de semana. O programa é vasto. Inclui uma oficina de gastronomia sobre o azeite e a caça na cozinha contemporânea, conversas sobre o papel dos etnomusicólogos nos séculos XX e XXI e sobre o teatro popular ou a vida dos adufes. Mas o ponto alto será um concerto com base nas recolhas de Jaime Lopes Dias. Esta notícia convoca sonoridades de um país que não perde a memória. Ecoam bombos de Lavacolhos. Adufes em Penamacor. Uma voz antiquissima entoa a Senhora do Almortão. Assim a manhã cheira a cravo, cheira a rosas, cheira a flor de laranjeira.

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