Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Caminhar, construir um lugar (texto)

"A cidade não foi pensada para as pessoas".

A cidade é São Paulo. A tese é da fotógrafa Raquel Brust, que volta a instalar nas ruas da grande metrópole enormes painéis com a imagem de rostos ampliados ao limite. É a 10.ª edição do projecto "Giganto".

"Não adianta virar a cara", avisa a fotógrafa, entrevistada pela Folha Press. Não há como escapar a estas imagens de rostos em grandes dimensões. Trata-se de painéis de 6 metros de altura por 3 de largura.

Os rostos foram escolhidos a dedo pela artista brasileira, vincando a ideia de diversidade. Ela retrata uma drag queen, um actor negro com o rosto marcado pelo vitiligo, um líder indígena, um atleta deficiente, um trans-sexual. Explica que escolheu a dedo cada pessoa e que, juntas, elas formam uma unidade, uma tentativa de busca de empatia nestes tempos tão difíceis.

Que retrato faz Raquel Brust, quando lhe pedem um plano geral da cidade? Ela responde: "Ninguém fixa o olhar em ninguém, em São Paulo. As pessoas andam de cabeça baixa na rua. Parecem estar sempre blindadas umas às outras".

Quando li esta notícia pensei numa ideia do jesuíta francês Michel de Certeau sobre o acto de caminhar pelas cidades. Ele diz: o acto de caminhar é a tentativa de construir um lugar, já que "caminhar é ter falta de lugar". Caminhar pela cidade seria, nesse caso, um modo de a reescrever a todo o momento?

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