Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Com açúcar, sem afecto

Vale a pena seguir com atenção a conversa de Bolsonaro no próximo fim de semana na Índia, onde os agricultores protestam contra a sua participação nas comemorações do Dia da República, a convite do presidente Narendra Modi. Os dois cultivam o mesmo campo ideológico, mas a conversa pode amargar, por causa do açúcar.

Bolsonaro (que apanha já na sexta-feira o avião) aposta as fichas na chamada "diplomacia do etanol". O Brasil quer vender etanol à Índia, isso já foi conversado com Modi quando este visitou Bolsonaro, há uns meses, mas os trabalhadores agrícolas dos grandes campos de cana estendem faixas negras nas zonas rurais, protestando contra a acção hostil do Brasil na Organização Mundial de Comércio. Em causa estão os subsídios pagos pelo governo indiano aos produtores de cana. Tais subsídios estão abaixo daquilo que os agricultores indianos reclamam mas são considerados proteccionismo desajustado pelos restantes países produtores. Aos agricultores indianos já não bastava o golpe dado pelas enchentes da época das monções na produção de açúcar. A federação dos produtores de cana de açúcar da Índia veio lembrar que "se a OMC tomar uma medida contra a Índia, esta será empurrada para a importação de açúcar". O sector emprega mais de 50 milhões de agricultores e outros 500 mil, só na indústria transformadora". Cada movimento inesperado provoca perturbação nos preços internacionais.

Os agricultores indianos estendem faixas negras nos campos de cana contra a visita de Bolsonaro. Este não vai abrir o pacote da desavença, mas o Brasil fez diligências formais junto da OMC, nas últimas horas. Parece que, há dias, 250 milhões se manifestaram contra o governo de Modi. Num país continental, a escala é outra. Há uns meses, o jornal Público contava que 60 mil agricultores indianos se suicidaram nos últimos 20 anos. Tenhamos em conta a escala.

A diplomacia do etanol fará o seu caminho. Mas o açúcar será a nota mais amarga de uma visita muito contestada.

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