Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Duas mulheres

A antiga admiradora de Mussolini surgiu ontem, vitoriosa, num vídeo segurando dois melões à altura do peito, num trocadilho patético com o próprio apelido, e fazendo saber que já disse tudo.

Do tanto que foi dizendo, para lá dos chavões com que o pós-fascismo vem comendo as papas na cabeça aos asténicos democratas, fica, por exemplo, a determinação em renegociar tratados com a União e em reactivar as fronteiras que possam proteger a Itália do que ela designa como "a islamização".

Ora, aí chegados, bem pode comer os melões "às dentadas", como sugere uma velha quadra pessoana ao gosto popular. Na quadra, as dentadas rimam com gargalhadas que talvez façam rir, talvez façam chorar.

A mulher cujo gesto guardo destes dias é outra, não lhe vi o rosto nos 17 segundos de um vídeo em que ela não vira as costas à sua própria dignidade. Não lhe sei o nome, vejo o seu casaco azul e a sua cabeleira branca despida de véu, caminha durante 17 segundos de costas para a câmara que a filma, de frente para onde a luta é necessária. É uma velha mulher iraniana que ainda não tinha dito tudo. E ali vai ela, o véu islâmico na mão, a cabeleira branca ao vento, vai entre os manifestantes que enchem a praça e grita contra Kamenei, agita no ar da noite o véu como se sacudisse moscas, está zangada com os que mataram Masha Amini e mais de 40 outros que ainda não tinham dito tudo, por isso se manifestavam.

O véu assim imposto faz da cabeça um melão. Por isso, a mulher iraniana sacode o ar contra o sufoco que o torna irrespirável. Diz o que tem a dizer. E ainda não disse tudo.

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