Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Enquanto outros tambores não ressoam

Alex Bongtiko, o antigo menino-soldado, mais de uma década forçado a saquear e a matar em nome da fé delirante de Joseph Kony, do designado Exército de Resistência do Senhor, está acocorado junto à casa onde vive na aldeia ugandesa de Lukodi. Foi lá que o repórter Oscar Pons, do jornal El Pais, o encontrou por estes dias. Abandonada a AK-47 que lhe entregaram quando tinha 11 anos, percorridas as florestas de África por onde o forçado exército espalhou a morte e o medo, ele é um dos mais de 60 mil jovens ugandeses a quem o delírio letal de Kony devastou a infância.

Menino-soldado à força, Alex conseguiu escapar ao terror decretado pelo homem a quem o Tribunal Penal Internacional ainda não foi capaz de sentar no banco dos réus para pagar pelos crimes de guerra que deixaram em vários lugares de África um rasto de mais de 100 mil mortos e provocaram meio milhão de refugiados. Kony parece ter-se esfumado na selva, Alex regressou à aldeia onde repara bicicletas. O repórter do jornal El Pais conversou com ele perto do lugar onde foi levantada uma cruz de pedra por entre a vegetação. É um memorial para lembrar os massacres do designado Exército de Resistência do Senhor. Nesta aldeia ugandesa um grupo de antigos meninos-soldados tenta curar as feridas da guerra dançando. O jornalista do El Pais escolheu para título de reportagem umafrase que pede o som dos tambores: "Antigos meninos-soldado dançam para não enlouquecer".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados