Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Hong Kong não vai ver os Óscares

A cerimónia dos Óscares não será transmitida em Hong Kong. É a primeira vez que tal acontece, em mais de cinquenta anos.

O canal de televisão TVB fez saber que a decisão resulta de uma avaliação estritamente comercial. A fórmula usada no comunicado da estação de Hong Kong, tal como surge na notícia da Lusa, é ainda mais curiosa, dadas as circunstâncias: "puramente comercial".

O nosso Pessoa (em dado momento da vida mergulhado na azáfama do comércio, sobre a qual produziu vasta reflexão) acreditava que "a actividade chamada comércio, por mal vista que esteja pelos teoristas de sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo", explicava o Pessoa, "é o que se denomina cultura".

Ocorre que a explicação do canal de Hong Kong para justificar a não transmissão das cerimónias dos Óscares coincide com a censura imposta pelas autoridades chinesas contra a curta-metragem "Do not split", candidata ao prémio de Melhor Documentário de Curta-Metragem. Por que é que os chineses censuraram o documentário? Porque ele mostra os protestos nas ruas de Hong Kong em 2019. Ele mostra Hong Kong reclamando democracia. "Puramente comercial", explica o canal TVB. Já Robert Green, um político norte-americano de finais do século XIX, acreditava que "o comércio é o grande civilizador". Ele explicava isso com um argumento quase pueril: "Trocamos ideias quando trocamos tecidos".

A explicação do canal de Hong Kong dava pano para mangas.

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