Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Ivermectina e facada

Bolsonaro admitiu, ontem, que teve sintomas de reinfecção do coronavírus, há poucos dias. Que fez ele? Tomou ivermectina. E "no dia seguinte, estava bom". Mefítico, espalhou a frase pútrida, despachando o antigo ministro da Saúde com o rótulo de canalha. Mezinheiro, bolsonarou, cloroquinou meio mundo e o outro, como ainda ontem ou anteontem: estava um apoiante com um exuberante cabelo à black power e ele, mirando a trunfa, "estou vendo aí uma barata". E, todo mesuras, todo banha da cobra: "Tem cloroquina guardada, aí?".

Ontem, mais uma pérola para o acampamento montado em redor: "Quando tenho problemas de estômago, alguém sabe o que eu tomo? Tomo Coca-Cola e fico bom. É problema meu. O bucho é meu".

A frase engrossa como um bandulho abandalhado. E, com os lábios de lâmina frementes, golpeia o espanto alheio, piscando o olho à História: "Talvez o meu bucho, todo corroído pela Coca-Cola, me salvou da facada do Adélio". A facada do Adélio, assim lembrada, a memória assim anavalhada, cocó, ranheta e facada.

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