Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Lendo a Fortune no olho do furacão

Um número apenas deveria bastar para que nos decidíssemos a defender a nossa casa. É o número que vem no relatório apresentado pela Oxfam, coincidindo com a abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima. O título do relatório faz tocar campainhas: "Obrigados a deixar as suas casas." Estes desalojados não são os velhos moradores do centro histórico de Lisboa ou do Porto ou os de Ribeira de Baixo, a quem a Iberdrola oferece contentores, doces contentores. Os do relatório da Oxfam são os 20 milhões de pessoas que em cada ano da última década foram obrigados a abandonar as suas casas devido às alterações climáticas.

Os desastres climáticos são já a principal causa da deslocação forçada das populações. Assim sendo, falemos de guerra. Assim sendo, falemos.

Foi o que fez Katharine Hayhoe, a directora do Centro de Ciência do Clima da Universidade Tecnológica do Texas. Uma intervenção pública desta cientista canadiana foi vista por dois milhões de pessoas. E o que disse ela? No essencial, o mesmo que disse à revista Ballena Branca e que o jornal El Diario reproduz na edição de hoje. Ela recomendou que olhemos com atenção para a listas das empresas mais ricas do mundo, publicada na revista Fortune . Duas dessas empresas trabalham seriamente para a utilização de energias limpas. As restantes, são as do sector petrolífero, do gás, do ramo automóvel. A base do seu negócio, diz Katharine Hayhoe, é "queimar petróleo". Aí está o fulcro do problema: "as empresas que controlam o mundo são as que mais perdem se se fizer frente às alterações climáticas".

Fazer frente é não calar. A cientista canadiana contou o caso de um homem que a interpelou em Londres, em Maio último. Aproximou-se dela numa estação de comboios e disse-lhe que tinha visto na internet a comunicação que ela fizera uns meses antes. Disse-lhe que lhe iria enviar a lista com os nomes das pessoas a quem falou, transmitindo o essencial da mensagem de Katharine. Ela pensou que ele se referia a 70 ou 80 pessoas. Mas ele falara a 10 mil pessoas e graças a isso, explicou, orgulhoso, fora declarada a emergência climática na sua cidade.

Falemos, pois.

Façamos frente.

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