Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Mãos atadas em La Chacarita

Há 150 anos, Buenos Aires foi varrida por um enorme surto de febre amarela que esgotou as capacidades de resposta dos dois cemitérios da cidade.

O jornal A Folha de São Paulo conta que a febre amarela chegou a causar 700 mortes por dia. Foi essa desgraça que precipitou a construção de La Chacarita, o mítico cemitério onde repousa Gardel. Com a pandemia, La Chacarita já não responde, Buenos Aires já não tem os 180 mil habitantes de 1871.

Os trabalhadores do cemitério mais famoso da capital argentina estão em pé de guerra contra a covid e contra as autoridades da cidade: exigem ser incluídos num programa urgente de vacinação, caso contrário deixam de recolher os corpos amontoados e de lhes dar sepultura. O governo negou o pedido de tratamento prioritário que eles reclamam desde Janeiro e eles ameaçam com uma greve por considerarem que, tal como os médicos, estão na linha da frente e correm mais riscos do que a maioria da população.

La Chacarita é um dos cemitérios mais visitados da capital argentina. Ali repousam os grandes do tango e da literatura e do futebol. Ali aconteceu um estranho episódio, nunca explicado; desconhecidos abriram a cova onde jazia o corpo do antigo presidente Juan Domingo Péron e cortaram-lhe as mãos.

Na Buenos Aires da actual pandemia, já não passa o vagão dos mortos de há 150 anos. Em La Chacarita, os turistas fazem vénia, de máscara, diante do mausoléu de Gardel. Os coveiros dançam a sua milonga de mãos atadas.

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