Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Nervos de aço

Imagine que o Presidente da República, interrogado pelos repórteres sobre qual a "narrativa diferente" desejável ou sobre os perigos do "carácter casuístico dos critérios" adoptados pelo Governo, respondia: "Vá perguntar ao José Alberto Carvalho". Ou que o primeiro ministro, inquirido sobre as probabilidades de uma quarta vaga, aconselhava o repórter a procurar o avisado conselho de Clara de Sousa. Foi o que fez Bolsonaro, ultrapassados os 500 mil mortos por Covid. O Presidente brasileiro fez por ignorar o peso dos números com que era confrontado e aconselhou o jornalista que o interpelava: "Se tiver Covid, procure o doutor William Bonner. A doutora Miriam Leitão também é muito boa". Wiiliam Bonner e Miriam Leitão são apresentadores dos noticiários da Rede Globo e a palavra doutor, usada neste contexto, pede bata branca. Eis o febril negacionista em seu delírio.

Bolsonaro não deve gostar da música de Paulinho da Viola. Muito menos do diagnóstico e da receita do grande compositor lavrada na rede social Twitter: "A terrível marca de 500.000 mortos por Covid que o país atingiu ontem", escreveu Paulinho da Viola, "é uma dor impossível de imaginar. Dói ainda mais saber que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas. O preço inaceitável do negacionismo está a ser-nos cobrado diariamente".

Quando, no início de Abril, Paulinho da Viola tomou a segunda dose da vacina, saudou aqueles a quem chamou "profissionais comprometidos em salvar as nossas vidas". Aos 78 anos, este homem que já viu tanto sinal fechado, alegrou-se: "A vacina chegou a tempo para mim", disse ele. "Infelizmente, não chegou a tempo para muitos outros." E deixou um desejo singelo: "Que as vacinas cheguem o mais rápido possível a todos os brasileiros". Assim, sorrindo. Como se receitasse um samba. Ou um comprimido. Contra o negacionista, nervos de aço.

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