Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

O inferno sobre as águas

O jornal El País descreve, a partir de investigações policiais, o inferno vivido na embarcação resgatada há dias a 500 km da costa espanhola. O barco zarpara no início de Abril de um ponto impreciso da costa mauritana, transportando 60 pessoas. Quando, três semanas depois, foi avistado por meios de vigilância área das autoridades espanholas, ao largo da grande Canária, restavam a bordo 3 sobreviventes e 24 corpos. Os testemunhos que a polícia recolheu dos dois homens e da mulher sobreviventes sugerem um inferno sobre as águas. Em vez da sonhada viagem de três ou quatro dias, a embarcação perdeu-se das bússolas. Na deriva total, os mantimentos esgotaram-se. Ao quarto dia, terminou o combustível, os donos do barco lançaram ao mar os motores para aligeirar o peso. Andaram duas semanas à sorte das ondas, começaram a beber água do mar, começaram a morrer de fome e de sede. Conforme morriam, eram entregues ao mar. Alguns enlouqueceram e lançaram-se às águas. Mas quando os três sobreviventes foram encontrados, estavam tão debilitados que tinham desistido de sepultar no oceano os corpos sem vida dos companheiros de viagem. Apenas lhes tiraram as roupas para se protegerem do frio das noites sem rumo. Ao fim de vinte dias de horror, um avião sobrevoou a sua agonia. Um dos pilotos do helicóptero que os resgatou disse que esta foi a missão mais dura que alguma vez desempenhou. Eis o que já não abre noticiários.

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