Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

O que tem de ser tem quanta força?

Há quem alerte para o perigo da banalização do estado de emergência. Não é menor o perigo da banalização da prática democrática e de um dos seus momentos rituais, o da ida às urnas.

A discussão de um (desejável, razoável?) adiamento das eleições presidenciais fez-se num jogo de cintura táctico que sucumbiu ao peso das circunstâncias. Nunca tantos, pensando tão diferentemente, acabaram dizendo o mesmo. Houve quem acusasse o Governo de ter colocado o país num ponto de não retorno, puxando o argumentário para outra instância de discussão. Na verdade, não é o Governo que marca eleições ou que promove o seu adiamento. Um candidato sugeriu que se fizesse o confinamento só depois da contagem dos votos. A expressão usada foi: "Sou a favor do confinamento na 5.ª, se não houver eleições a 24." Uma candidata declarou: "Adiamento? Não o desejo, mas não me oporei."

Nas lideranças partidárias houve, à direita e à esquerda, as mesmas cautelas, os mesmos caldos de galinha. Rio interrogou-se sobre o tempo e o modo de um exercício de voto em que os eleitores estarão confinados, mas salvaguardou uma disponibilidade para o consenso que permita ultrapassar o que chamou "constrangimentos constitucionais pesados". Jerónimo alertou para o facto de o adiamento colidir com o princípio consagrado de que não podem existir alterações à Constituição em estado de emergência.

Tudo ponderado, Marcelo fez o laçarote em cinco palavras óbvias: "Não há condições para adiar." Aqui chegados, a urgência, a emergência, é criar condições para que todos votem em segurança e com fiabilidade.

O que tem de ser tem quanta força?

O constitucionalista Jorge Miranda, em declarações ao i, usou o descomplicador: "Se as pessoas podem ir às compras, também podem ir votar." Eu li estas palavras como sendo de emergência. Como se, com elas, Jorge Miranda nos estivesse lembrando que o exercício do voto não nos é menos vital que o pão para a boca.

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