Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

O que vêem as estrelas?

O mais recente livro de Nuno Camarneiro põe o leitor a ver estrelas e a ver o que as estrelas vêem.

Rita passeia, pelo jardim, com o cão Bernardino e vê um homem de bigode, dobrado, a espreitar por um canudo.
A primeira pergunta de Rita: "Que vês tu nesse buraco?"

O homem apresenta-se: "Sou o Alfredo cientista e vejo a lua um pouco triste, planetas redondos, cometas rabudos e o tempo todo curvado"

A cada página, a menina quer saber mais. O que vêem as estrelas? O que vêem as gaivotas, as sardinhas, os montes, as formigas, os sapatos? O que veriam os sapatos se pudessem voar?

Os sapatos desta história contada por Nuno Camarneiro podem voar, ainda que ele o não revele no livro. Na verdade, ele não o revela nem o omite. Pela voz do cientista Alfredo, o autor desfia a quantidade de coisas que os sapatos podem ver e faz uma revelação formidável: "Os sapatos às vezes sonham que são nuvens"

E logo Rita quer saber se as nuvens também sonham. "As nuvens não fazem outra coisa", responde o cientista. Não revelarei o que ele desvenda sobre os sonhos das nuvens, vá lá, levanto apenas uma ponta do véu: As nuvens "às vezes sonham que não voam, outras que são mar e que chovem para cima".

Isto acontece na primeira metade do livro. E isto é só parte do tanto que alimenta cada pergunta, cada resposta, cada espanto, vistos e sonhados pelas ilustrações belíssimas de Helder Teixeira Peleja. No fim da história até saberemos o que vê o cão Bernardino, quanto mais as estrelas...

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