Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Os caminhos de Lara

Sei de alguém que esta tarde vai torcer pelo empate para que ganhe o Uruguay e para que ganhe Portugal. Não por calculismo de empata, mas por desejo vibrante de vitória para as suas duas pátrias.

Fernando Vilar, nascido em Lara, concelho de Monção, desde os seis anos vivendo na pátria de Mário Benedetti, uma longa carreira jornalística iniciada na rádio El Espectador, distinguido em 2007, pelo governo de Lisboa, como o melhor jornalista português radicado no exterior, confessa, em entrevista ao jornal uruguaio El Pais, que tem o var do coração avariado, tal como em 2018, quando ficou muito contente quando o Uruguay marcou e, do mesmo modo, exultou com o golo do empate. "Se tivesse terminando assim, seria o ideal", alvitra Vilar. Depois o Uruguay marcou e ele emocionou-se, pensando nas filhas, nos vizinhos que festejavam na rua. Se Portugal tivesse ganhado, seria o mesmo, abriria uma garrafa de alvarinho pelos primos de Monção.

Lá no Uruguay, ele sofre pelo Peñarol, ao contrário de Benedetti, que era adepto do Nacional. Isso quer dizer que está habituado a sofrer. E muitos dos vizinhos, por certo, também. Por isso, quando estiverem 22 perfilados diante de dois hinos, vou lembrar-me daquele que foi menino em Lara. Em 2018, ele pressentiu mais solidez, mais equipa, no conjunto celeste. Assim possa ele ter escutado a bela lição, não apenas táctica, dada ontem por Bernardo Silva e possam os primos minhotos saltar de alegria mesmo compadecendo-se de Sergio Rochet, tal como Benedetti se compadeceu do guarda-redes brasileiro Barbosa, quando a celeste impôs a sua lei, no mundial de 50, cunhando para a eternidade a expressão "maracanaço". Se isso acontecer, imaginarei Fernando Vilar regressando à cascata do Fojo ou subindo ao alto da Cotorinha ou deixando correr a memória pelas margens do ribeiro de Lara, onde ainda resistem moinhos ou pelo caminho da Cova do Lobo, pelo caminho do Moinho Velho, pelo caminho do Penedo do Navio. Belos nomes têm os caminhos de Lara, no concelho de Monção, pátria do alvarinho e de Fernando Vilar.

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