Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Os olhos verdes de Asli

Este rosto que nos fita numa página do jornal El Mundo, o rosto de Asli Erdogan, toca-nos pelo modo impiedoso como os seus olhos verdes nos sacodem e nos prendem. Onde vais leitor? parecem perguntar estes olhos, mais do que este apelido, estranho, igual sem tirar ao do autocrata que governa a Turquia com mão de ferro.

Um apelido não é um ferrete e esta mulher, esta cientista que se entregou à literatura, afronta-nos com o magnetismo dos seus olhos verdes, com o seu olhar dissidente Avisa-nos de um perigo. O que se passa é tão sério que ela abandonou o estudo das partículas elementares, a demanda da partícula de Deus, para nos avisar de que todos temos estado na prisão com a pandemia. Talvez não ou soubéssemos com esta nitidez. Por isso ela abre os grandes olhos verdes na página do jornal El Mundo. Os olhos verdes de Asli não insinuam metáforas. Esta dissidente turca (que é também uma escritora e uma cientista respeitada) vai de novo ser julgada por terrorismo. O olhar dela atravessando o nevoeiro da pandemia pede um instante, uma partícula da nossa atenção. Quando ela diz prisão quer dizer precisamente prisão. E não confinamento.

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