Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Pobre não poupa

Entrevistado pelo jornal "Folha de São Paulo", o ministro brasileiro da Economia afiançou que "o pobre não poupa". A frase de Paulo Guedes, lida na fiada restante, parece, paradoxalmente parece, coisa de pobre. Afinal o ministro não poupou, ele também, nos considerandos: "Um menino, desde cedo, sabe que é um ser de responsabilidade quando tem de poupar", disse ele, abrindo uma nesga do mealheiro intelectual conquistado na escola de Chicago. "Os ricos capitalizam os seus recursos. Os pobres consomem tudo", proclamou, ainda, o homem que não esconde o fascínio pelas reformas económicas realizadas no Chile de Pinochet e pelo modelo chileno de capitalismo.

Já não bastava ao ministro o esforço insano de conseguir para as suas hostes a passagem segura pelo sonegado buraco da agulha, ei-lo consumido pela dissipação, pelo esbanjamento, apoquentado pelos que não têm onde cair vivos. E são tantos, os pobres, tantas as arrelias que provocam ao mestre da macroeconomia em tempos considerado, por outro guru da banca, um Zico do mercado. Dizem os seus próximos que enriqueceu mas não gosta de ostentar. Patinhas agressivo, ele desconsidera a capacidade do pobre em acrescer pecúlio, dando de barato que metade da população sobrevive com o equivalente a menos de metade do salário mínimo, num mercado de trabalho marcado pela informalidade. Para o Zico do mercado, pobre é incompetente em pé de meia.

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