Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Porota

Mercedes Colás de Moroño, 95 anos, argentina, vice-presidente das Mães da Praça de Maio, morreu ontem em Buenos Aires. Ou, como escreveu, Hebe de Bonafini, a mãe das mães, "mudou de casa".

Chamavam-lhe Porota. A vida dela foi uma incessante espera, uma incessante busca, um incessante combate. Filha de um anarco-sindicalista, atravessou o mar com o pai, fugido à ditadura do general Félix Uriburu, e passou a infância em Lodoso, uma aldeia de Navarra, em Espanha. O pai entrou na guerra civil, contra os franquistas, e acabou fuzilado. Ela tinha onze anos e raparam-lhe o cabelo para que o povoado soubesse que era filha de um sublevado. Regressada ao seu país, a ditadura militar levou-lhe a filha Alicia, fez dela a mãe de uma "desaparecida". Um dia, pegou num lenço branco e sentou-se na Praça de Maio. Juntou-se a outras mães que reclamavam os filhos levados pela polícia. Bonafini, a líder das Mães da Praça de Maio contou que certa vez a Porota se lançou contra o carro de uma patrulha policial. Lutou muito e, ao mesmo tempo, começou a desaparecer, começou a ir embora. Bonafini, explicou esse movimento deste modo: "Foi embora devagarinho. Todos os dias morria um pouco".

Ontem deixou de ser vista. Como explicou a amiga Bonafini, "mudou de casa".

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