Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Sossego

Juan Cruz, fundador do El Pais, um dos meus heróis deste ofício antigo, conversa com o catalão Lorenzo Milá, grande comunicador de televisão com muito mundo andado. Ambos mergulharam no ruído do mundo e sabem e privilegiam o valor do sossego, não da modorra abstinente ou da indiferença social, mas da lentidão que observa e interroga.

O ruído de que se distanciam é o da futilidade soez, o da comunicação leve, tão leve que se faz leviana. "Houve uma explosão de comunicação da ligeireza", observa Lorenzo Milá, e essa comunicação é muitas vezes "frívola, agressiva, ofensiva". Andam os ecrãs inundados de sorrisos que ofendem.

É de política que falam? Sim, claro. Diz o catalão: "Nas democracias, éramos capazes de conviver pensando diferentemente. Entretanto, foi sendo produzida e foi vingando uma linguagem em que vale tudo e que produz o embrutecimento das sociedades actuais."

Milá foi correspondente da televisão espanhola nos Estados Unidos, há aqui links inevitáveis para a pegada da tropa fandanga do trumpismo na linguagem dominante.

A conversa com Juan Cruz corre, nesse sossego acutilante que vem da sabedoria e da percepção do grande ruído do mundo.

Que nos cabe fazer? - parece perguntar Cruz. De que modo poderemos fazer triunfar o sossego? O outro responde: "Teremos de regressar à base da profissão. Perguntar. Perguntar a quem sabe e não a quem possa convir."

Perguntar contra a nossa própria conveniência. Sem alarde. Privilegiando o sossego desassossegante.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de