Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Um gesto

Nas últimas horas Xanana Gusmão iniciou um protesto singular: postou-se diante do centro de isolamento de Vera Cruz, em Dili, onde permanece o corpo de um homem que morreu de covid 19 e que a família reclama para poder cumprir os rituais fúnebres tradicionais.

A atitude de Xanana acaba de ser explicada e defendida por Dionísio Babo, o presidente da Comissão Directiva Nacional do CNRT, em entrevista à agência Lusa. Babo veio sublinhar que Xanana não está contra o governo; pelo contrário, pretende trabalhar com o Centro Integrado de Gestão da Crise para combater o vírus.

O dirigente do CNRT lembra ainda que Xanana apenas pretende o cumprimento das recomendações da própria OMS de que os actos fúnebres devem "significar e respeitar as pessoas, a cultura, os costumes e os valores tradicionais". E Babo lembra que Xanana participou desde 2020 em campanhas de sensibilização da população, mobilizando apoio internacional para a obtenção de equipamento não existente em Dili, tendo estado ainda envolvido na preparação do primeiro centro de quarentena. O dirigente do CNRT respondia deste momento a críticas de alguns que acusavam Xanana de andar em público sem máscara.

Há ainda na longa descrição uma frase mais singela do dirigente do CNRT valorizando a acção de Xanana. "Foi um gesto, um gesto de pai".

E essa frase marca o mais decisivo de tudo aquilo que esta notícia convoca.

Um gesto. Num tempo em que faltam gestos

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