Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Uma flor na boca

Diz-se, nem sequer à boca pequena, que lhes ides mandar umas bocas.

Mas isto é como tudo: há os que andam nas bocas do mundo e os que se metem na boca do lobo. Há os que vêm à boca de cena e dizem. E os que nem à boca das urnas.

Saramago fez um poema à boca fechada: "calado estou, calado ficarei". Num tempo de silêncio, esse poema disse tudo o que tinha a dizer. E, depois de dizer o que tinha a dizer, ainda disse: ""Quem se cala quando me calei/ não poderá morrer sem dizer tudo".

Os jogadores da selecção alemã disseram tanto, ontem, quando taparam com as mãos as próprias bocas protestando contra a decisão que os pretendera calar. Para a breve história, consta que perderam. Para o que conta, ganharam. Ganharam respeito.

António José Forte já nos tinha lembrado que uma faca nos dentes pode ser a nossa flor na boca.

Quem tem boca, vai? Cá estaremos para ouvir.

Entretanto não nos esqueçamos do miúdo da camisola 4 no belo cartaz da Amnistia Internacional. Faz parte da Equipa Esquecida. Está de costas para nós, de frente para o que interessa. Segura, debaixo do braço, a bola. Tem, diante dos olhos, a baliza estreita, a boca do inferno dos direitos humanos.

Bate, boca.

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