Sinais

"Outros Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Uma sentença

Uma juíza do Tribunal Federal da Austrália acaba de aplicar uma multa de 32 milhões de euros a uma companhia telefónica que abusou da confiança de 108 aborígenes. 32 milhões de euros é quase dez vezes o preço por que foi licitada a tiara de diamantes e safiras que pertenceu a D. Maria II e que acaba de ser leiloada em Genebra. É uma pena pesada. Não tanto pelo montante elevado da multa, mas porque nos dá a justa medida de um crime sem perdão: o do abuso da boa-fé de pessoas indefesas.

O que está em causa é a violação da Lei do Consumidor por agentes da telefónica que emitiram contratos de planos de telefones móveis a pessoas que não entendiam bem o inglês e viviam de prestações sociais. A juíza considerou que a armadilha contratual criou angústia a pessoas que não podiam perceber o modo como estavam sendo enredadas. A juíza deixou claro que as práticas agora punidas configuram "manipulação de avaliação de crédito, exploração de vulnerabilidades sociais, linguísticas e culturais" dos clientes, aborígenes vivendo em lugares remotos.

Lendo a notícia esta madrugada, lembrei-me dum provérbio aborígene que nos lembra algo tão simples, ao alcance dos empregados de vendas de qualquer companhia telefónica: "Somos todos habitantes deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. Depois vamos para casa".

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