Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Zona de sinalização escassa

Os "Sinais" desta quinta-feira, por Fernando Alves.

O farol do portinho de Vila Praia de Âncora, conta hoje o JN, está há cerca de três anos sem sinal luminoso. A Docapesca, depois de o caso ter sido denunciado pela deputada social-democrata Liliana Silva, promete para a próxima semana uma lanterna provisória.

Os pescadores vão, entretanto, navegando à vista, usando a experiência como farol, nas entradas e saídas de uma barra que o assoreamento tornou mais perigosa.

Um farol cego é uma tristeza no molhe. E uma tristeza destas assarapanta a minha memória de São Miguel-o-Anjo ou de uma inesquecível conversa à bolina com Joaquim Boiça, filho, neto e bisneto de faroleiros, diante do Bugio. Lendo esta notícia é como se escutasse a fala inquieta de Vinicius, num longo poema dos anos 40. "Vai em silêncio, pescador, para não chamar as almas/ Se ouvires o grito da procelária, volta, pescador!/ Se ouvires o sino do farol das Feiticeiras, volta, pescador."

Três anos de navegação à vista, os pescadores de Vila Praia de Âncora regressam aos velhos métodos, assim não se percam da estrela de alva. E nesse regresso ao negrume de outros tempos, será que lançam rede à sorte do mar com as palavras que Raul Brandão deles reteve quando correu as praias de Portugal? Será que ainda chamam galriço à massa com que apanham a faneca, ainda chamam patelo à rede que apanha o caranguejo ou rasco aos engenhos para a lagosta?

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