Terra a Terra, Lisboa Capital Verde

Eleita capital verde da Europa, Lisboa partilha a distinção com o país, mostrando locais que tentam, todos os dias, serem mais verdes, mais ecológicos e mais sustentáveis. Concelho a concelho, cidade a cidade, vamos dar a conhecer as maravilhas das paisagens, do património, a gastronomia, as histórias e personagens de todos os cantos do país, numa emissão especial verde conduzida por Miguel Midões e com o apoio técnico de Joaquim Pedro.
Para ouvir na antena da TSF às terças-feira, depois das 15h, e em permanência em TSF.pt e em podcast.

Conselhos para os concelhos da área metropolitana de Lisboa que têm de criar uma infraestrutura verde conjunta

Para que Lisboa tenha recebido, em 2020, a distinção de Capital Verde, muito contribuiu a evolução da sua infraestrutura verde.

Neste Terra a Terra, que fazemos a partir do Convento dos Capuchos, na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, olhamos e pensamos a infraestrutura verde da área metropolitana da capital - uma zona muito perturbada pela ação humana.

A infraestrutura verde pretende salvar os ecossistemas. No caso português tem sido construída do ponto de vista legislativo desde o século XIX, mas com maior impulso após o 25 de abril. Agora é prioritário cumprir a estratégia da União Europeia.

Esta infraestrutura pode ser uma ferramenta de combate climático, atenuando a temperatura dos pavimentos, amortecendo o escoamento de águas, promovendo também atividades desportivas e de recreio, potenciando a biodiversidade das cidades, entre outros aspetos que deixamos para a conversa com as nossas convidadas.

Natália Cunha e Ana Muller são arquitetas paisagistas e investigadoras do ISA - o Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa. Ambas assinam uma carta aberta, que foi enviada ao primeiro-ministro de junho de 2020. Entre muitos aspetos, esta carta lembra que a Comissão Europeia, que já apresentou a Nova Estratégia para a Biodiversidade até 2030, abarca vários níveis de financiamento "muito significativos", entre eles, e como prioritários, estão investimentos na Rede Natura 2000 e nas Infraestruturas Verdes, na ordem dos 20 mil milhões de euros por ano. Quer ainda a Comissão Europeia que 35% do orçamento que a União tem para o clima seja canalizado para o investimento na biodiversidade e em soluções baseadas na natureza. Estas metas não se restringem ao financiamento, a CE pretende também reduzir "a tendência de perda da biodiversidade e degradação da qualidade dos recursos naturais, deixando de considerar suficiente a sua proteção, para propor o seu restauro", pode ler-se na carta aberta.

Natália Cunha explica no programa que a estrutura verde permitirá cuidar da "estrutura vital que permite manter a terra a funcionar como um organismo vivo", ou seja, "a sua aplicação na prática vai permitir que os sistemas mantenham as suas características ecológicas e encontrar soluções para recuperar e manter a continuidade dos sistemas da água, do solo, do ar e da biodiversidade".

Cuidados que se intensificaram no período pós 25 de abril. A Europa tem sido ágil na criação de legislação para proteger a biodiversidade e mostra que a estrutura verde é o caminho para retirar os ecossistemas da "degradação que vamos vendo ao longo do tempo", explica Ana Muller.

Área metropolitana de Lisboa com grande pressão urbanística.

A área metropolitana de Lisboa "está a sofrer uma enorme pressão urbanística", quer na margem Norte, quer na margem Sul, "sobretudo ao nível das zonas ribeirinhas". Embora muito distintas, as margens do Tejo sofrem de males parecidos. A Norte há um relevo de destaque e onde se encontram alguns dos melhores terrenos agrícolas do país. "Os solos são de elevado valor, com excelente qualidade de produção, que existem em muito pouca quantidade. Existem apenas 5% destes solos a nível nacional", refere Natália Cunha.

Recuperar solo pode demorar toda uma vida, aliás "não é renovável à escala humana". "É preciso identificar e evitar que haja uma destruição completa", acrescenta a investigadora do ISA. Algo que a estrutura ecológica ou a infraestrutura verde pode e deve salvaguardar.

Já a margem Sul tem um dos principais aquíferos do país e por isso "há que ter cuidado com a densidade urbanística que existe na margem Sul", sugere. Por outro lado, impera evitar o avanço do mar e a destruição dos bens que existem junto à costa.

A paisagem protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica é um dos bens naturais que convém manter preservados. Contudo, há males que foram cometidos que dificilmente serão revertidos. "A chegada aqui ao Convento dos Capuchos conseguimos identificar algum desses atentados ao ecossistema. Em ambas as margens conseguimos identificar situações destas, sobretudo nas zonas ribeirinhas e que são suscetíveis às cheias, que são zonas que devem ser protegidas, pelo recurso natural, mas também para proteção das próprias pessoas", alerta Ana Muller.

Como potenciar o verde da área metropolitana de Lisboa?

A primeira resposta surge de Ana Muller, que defende uma estratégia intermunicipal. "A implementação deve ser vista a uma escala abrangente, ou seja, não chega que exista uma visão municipal. "A infraestrutura verde deve ser implementada a uma escala regional e por isso temos de fugir do somatório das ideias municipais, que é o que se tem visto. Tem de ser um plano único de acordo intermunicipal, com vínculo aos PDM" (Plano Diretor Municipal), responde.

Para isso, é preciso o envolvimento regional das instituições, atribuir investimento para esta implementação e formar a consciência dos cidadãos para esta alteração.

Ambas as investigadoras dão a cidade e o concelho de Lisboa como um exemplo, mas é preciso estender agora as mesmas estratégias para os municípios vizinhos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de