Terra a Terra, Lisboa Capital Verde

Eleita capital verde da Europa, Lisboa partilha a distinção com o país, mostrando locais que tentam, todos os dias, serem mais verdes, mais ecológicos e mais sustentáveis. Concelho a concelho, cidade a cidade, vamos dar a conhecer as maravilhas das paisagens, do património, a gastronomia, as histórias e personagens de todos os cantos do país, numa emissão especial verde conduzida por Miguel Midões e com o apoio técnico de Joaquim Pedro.
Para ouvir na antena da TSF às terças-feira, depois das 15h, e em permanência em TSF.pt e em podcast.

Portugal marca a agenda internacional dos oceanos: estratégias para o mar, canhão de Lisboa e espécies ameaçadas

Em termos de dimensão, superfície e volume "temos um grande domínio oceânico". A afirmação é de Ricardo Serrão Santos, ministro do Mar, na TSF, no programa Terra a Terra, no âmbito da Lisboa, capital verde europeia.

Nos tempos mais modernos, desde a Expo98 que Portugal marca também a agenda internacional porque não há muitos países que "olhem o mar como nós olhamos". Foi preciso chegar a 2015 para que os oceanos tivessem um objetivo "singular" e estivessem na agenda das Nações Unidas. "Portugal lutou e argumentou para que a agenda do desenvolvimento sustentável tivesse um objetivo relacionado com os oceanos", explica. No país, estamos perante a terceira estratégia nacional para o mar, o que demonstra que "Portugal é um dos países que tem relevância a nível da Europa no que respeita à economia do mar, apesar de existirem alguns arautos que passam a vida a diminuir o nosso percurso que é notável", acrescenta Ricardo Serrão Santos.

É preciso agora uma ligação mais forte entre a indústria, os negócios e a ciência. Existe potencial ligado ao mar, mas importa desmistificar a realidade nacional, algo que o ministro do Mar esclarece no áudio do programa:

O mar português não tem muita riqueza em biomassa, mas tem uma enorme riqueza em biodiversidade, complementa Maria José Costa - catedrática reformada da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora do MARE - o centro de investigação de Ciências do Mar e do Ambiente.

José Sá Fernandes, vereador do ambiente da Câmara Municipal de Lisboa, reforça a ligação que a capital tem ao mar e que acontece de várias formas, "quer pelos que nos visitam, quer pela ciência". Lisboa deve contribuir para novos conhecimentos e apoiar a ciência, por exemplo proporcionando um maior conhecimento acerca do Canhão de Lisboa - "continuamos a tentar que seja estudado e que haja um melhor conhecimento desse sítio, com certeza extraordinário do ponto de vista da biodiversidade", afirma.

João Falcato, CEO do Oceanário de Lisboa e administrador da Fundação Oceano Azul, esteve no programa para falar do livro vermelho dos peixes, que pretende perceber que espécies estão ou não ameaçadas. Um projeto que ainda está numa fase inicial, que conta com o apoio do ICNF e da autarquia de Lisboa. A Fundação tem feito um trabalho de consciencialização dos mais novos para a importância dos oceanos, do qual poderemos ouvir o biólogo falar no programa, bem como dos objetivos e da equipa que está a trabalhar neste livro de espécies ameaçadas.

Maria José Costa, autora do livro "Os peixes de Portugal" e também coautora do livro de peixes vermelhos da Europa, refere que conseguiu perceber com a investigação para ambos os livros que existem "muitas zonas de sombra que não conhecemos". Em Portugal, "temos sempre o problema da pesca por arrasto" e realmente somos "oligotróficos, temos pouca produtividade, com exceção dos estuários que podem ser comparados às zonas dos recifes".

Jorge Miguel Miranda - presidente do conselho diretivo do IPMA, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e geofísico lembra que é pouco o conhecimento que existe acerca do mar por parte da população e o canhão de Lisboa é apenas um exemplo: "um rio submarino fantástico, que liga a superfície ao fundo e que faz parte do grande sistema biogeoquímico, que mantém a sustentabilidade do planeta".

Miguel Miranda alerta mesmo para o facto de que que "o oceano não só está a atrair a maior parte do calor excedentário que está a chegar à terra, como está a ser o principal objeto que vai condicionar a evolução futura. Não estou aqui a falar de meteoritos a caírem-nos em cima da cabeça nem de tsunamis que chegarão à Serra da Estrela, estou a falar de um processo lento, mas inexorável de alteração".

No próximo ano, Portugal vai organizar, com o Quénia, a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos. O ministro do mar refere que "vai estar virada para as questões da inovação e da produtividade dos oceanos a nível global". Apesar das várias formas que existem de olhar para os oceanos, é preciso "juntar esforços para que as políticas sejam concertadas entre todos os países". E a meta está estabelecida: ter 100% do espaço marítimo planeado, ordenado e sustentável.

Outro dos problemas, incontornável na atualidade, é a poluição. Parte do programa é dedicado a identificar problemas e caminhos para solucionar este problema, que afeta a todos de forma global.

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