TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

A velha adega de Mourão

O calor já aperta e as praias do maior lago artificial da Europa são uma opção refrescante na região que é um destino privilegiado para quem aprecia a tranquilidade do campo e o ar puro.

Em tempo de Verão, as margens da albufeira da barragem de Alqueva ganham maior atratividade e outra animação.

Para lá de Reguengos, a estrada atravessa o grande rio do Sul, transformado em gigantesco espelho de água. Lá no alto, o medievo burgo de Monsaraz permanece altivo, qual sentinela atenta a olhar Espanha ali tão perto e a vila raiana de Mourão.

Viajamos por território que foi palco de batalhas históricas das guerras da Sucessão de Castela e, séculos volvidos, da Restauração.

Chegados a Mourão, é tempo de seguir o caminho que nos leva à Adega Velha, uma referência local em termos gastronómicos.

É fácil lá chegar, tomando o jardim como ponto de referência.

O ambiente da adega é genuíno, sem luxos nem decorações modernas. O chão lajeado proporciona frescura nos dias de canícula; nas prateleiras, empoeiradas telefonias, sintonizadas na onda da tradição, fazem companhia às talhas bojudas onde repousa o néctar servido ao balcão no copo de três ao jeito de saborosas boas-vindas com pão, azeitonas, queijo e linguiça.

A páginas tantas, o cante brota, espontâneo, autêntico e vibrante, , criando uma atmosfera única. A uma moda, sucede outra. E outra, ecoando pela velha adega onde o engenheiro Joaquim Bação, anfitrião culto e sempre de bom humor, faz as honras da casa.

Entre as talhas, as mesas preenchem o espaço possível.

Para começar, queijo, paio, cachola assada ou coelho de coentrada, vulgo à S. Cristóvão, preparam o palato para os pratos de resistência.

Na cozinha, ao fundo da casa, oficiam mãos sabedoras na preparação das opíparas e tão alentejanas sopas da panela e de cação.

O cozido de grão é um dos pratos mais apreciados, graças a uma culinária tradicional, que tira excelente partido dos bons produtos utilizados na confeção. Calórico e saboroso é uma das especialidades a par da perdiz à Adega Velha.

Neste capítulo, referência na lista, de resto, pouco extensa, para a lebre com grão e nabos. Dois prato da época de caça.

Outras sugestões possíveis: feijão com chouriça: lombo de porco assado com pimentão; ovos mexidos com espargos bravos ou com cilarcas, os cogumelos deste território, onde também são conhecidos por tortulhos.

As sobremesas com marca tradicional do Alentejo, são tentadoras: bolo rançoso, à base de amêndoa e de gila - ou chila -- e encharcada, completam um manjar substancial nesta adega, onde se bebe o vinho tinto de talha. Mais rústico, mas ideal para acompanhar os pratos suculentos desta Adega Velha, que resiste e teima em manter vivo lado tradicional. Em Mourão.

Localização: Mourão

Contacto : 266 586 443

GPS : 38.38357 N ; -7.34204 W

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