TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

A fase moderna do velho Caçula portuense

Leva meio século de história, um restaurante da baixa portuense que já conheceu várias moradas. Mas, sempre nas mãos da mesma família. Com a segunda geração ao leme, entrou na fase moderna e inovou, sem esquecer as raízes.

A praça de Carlos Alberto é uma das mais pitorescas do Porto.

Em meados do século XIX, a hospedaria do Peixe, nome do proprietário, ocupava o vistoso palacete dos Viscondes de Balsemão e nela se instalou, na chegada à cidade Invicta, o rei italiano. O monarca, perdida a batalha de Novara para os austríacos, abdicou do trono e fez do Porto, onde faleceu, o local de exílio.

O nome do rei foi dado à antiga praça dos Ferradores, para onde se mudou, em 2012, o restaurante Caçula.

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Mesmo à entrada da rua de Cedofeita um prédio centenário, de quatro pisos, é a atual morada de um restaurante, tradicional e económico nos primórdios e que chegou ao meio século de uma existência vivida em diferentes locais da baixa portuense.

Inaugurado em 1969, junto à praça D. João I, mudou mais tarde para as imediações do Bolhão. Resistiu à pressão imobiliária até 2011.

Na nova casa, manteve uma marca inovadora. Jorge Ribeiro, que desde os oito anos de idade crescera no restaurante, sucedeu aos pais na liderança da casa, que adotou uma filosofia mais urbana e internacional. Com formação na área de hotelaria trouxe influências do mundo, em particular de Londres onde viveu quatro anos.

Do rés-do-chão, com esplanada à porta, ao 4.º piso, a casa, restaurada com primor e decorada com sobriedade, mantém a patine do tempo. Nas salas mais intimistas ou para grupos, há um confortável ambiente familiar.

O forno a lenha é o ícone do restaurante e dele sai a fina e estaladiça massa de pizza - há muitas escolhas neste domínio - para acomodar a saborosa francesinha tradicional.

Outro capítulo: petiscos. Muitos e variados.

Uma proposta vegetariana interessante - ratatouille com polenta gratinada - pode abrir as hostilidades entre opções diversas no capítulo petisqueiro: arroz de bacalhau com alcaparras, mexidos de alheira com grelos; carpaccio de carne com queijo de S. Jorge e rúcula; tirinhas de novilho grelhadas com misto de cogumelos; queijo de cabra queimado em cama de maçã caramelizada com Porto Ruby e legumes.

Nos pratos de peixe, o bacalhau - lombo braseado e servido em cama de grelos e batata a urro - e o polvo - braseado em ervas aromáticas servido com migas de legumes e azeitonas pretas evidenciam, com fulgor, a base tradicional da cozinha.

No capítulo cárnico, destacam-se naco de alcatra com molho de cogumelos selvagens e Porto Tawny em cama de grelos e polenta; perna de borrego grelhada em especiarias com ragu de legumes e batata crocante.

Outra opção: peito de frango grelhado com molho Roquefort.

Nas sobremesas, a panacotta à moda do chefe, um gelado de cogumelos com sopa de morangos, é um esplendor. Outra escolha, pudim abade de Priscos com granizado de limão.

Boa carta de vinhos, com o Douro, dividido pelas três sub-regiões, em maioria.

Serviço simpático neste restaurante com propostas variadas, aliciantes e com toque inovador e uma cozinha com a marca da contemporaneidade e da irreverência. O Caçula continua a crescer. No Porto.

Onde fica:
Localização: Praça Carlos Alberto, 47 4050-157 Porto
Telef.: 222 055 937

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