TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

Eça no Egoísta abriu ciclo de jantares históricos

O Egoísta festeja uma década e para assinalar a efeméride, o restaurante do casino da Póvoa promove ciclo de jantares históricos. A abrir as Conferências do Casino, a requintada recriação do célebre jantar de Os Maias no Grande Hotel Central.

Um ciclo de 10 jantares, designado «Conferências do Casino», recriando refeições históricas em Portugal, passando por uma revisitação do tempo literário queirosiano, assinala, na Póvoa de Varzim, uma década do restaurante Egoísta.

O célebre jantar do Grand Hotel Central, descrito por Eça de Queirós em Os Maias, abriu o programa comemorativo; teve enquadramento histórico por Isabel Pires de Lima e foi recriado pelo chef Hermínio Costa

A reconstituição do jantar, na sala do restaurante do casino da Póvoa, de ambiente elegante e peças de arte originais com assinatura de Alberto Carneiro, Nikias Skapinakis, Júlio Resende e outros, nas paredes, foi minucioso ao ponto de nem faltar o centro de mesa com pétalas de camélias e ananases.

Para recriar o jantar oferecido por João da Ega ao banqueiro Jacob Cohen, um repasto descrito em 28 páginas do romance do escritor nascido na cidade poveira.

A elaboração da ementa levou o chef Hermínio Costa a ler e reler o famoso romance de Eça de Queirós. Os pratos foram estudados ao pormenor e revelaram harmonia no gosto e beleza na apresentação.

A cozinha francesa, à época a atravessar uma fase dourada, serviu de mote ao jantar que abriu com ostras frescas, oriundas de França.

Harmonização bem conseguida com Morgado de St.ª Catarina Reserva 2016 Branco, a exceção portuguesa no elenco vínico francês de excelência: Saint Emilion Grand Cru de 2011.

Em seguida, a sopa: um creme de legumes confecionado com três ingredientes: tapioca, muito utilizada à época; julienne, uma juliana com legumes em tiras compridas e crécy (cenoura).

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O prato de peixe -- linguado (no romance, sole Normande), com mexilhão, camarão e sidra - revelou excelente textura de sabores. Absolutamente fantástico.

A galinha da raça La Bresse Gauloise, de pata integralmente preta e penas brancas, figurou na ementa como «poulet de Bresse aux champignons».

A carne deste galináceo muito especial, foi selada e passou pelo forno. A acompanhar: cogumelos brancos.

Seguiram-se as ervilhas (petit pois) à la Cohen. Uma recriação, que surpreendeu, de um clássico da gastronomia francesa, sem molho branco, acompanhado com um ovo de codorniz.

Excelente sabor, de algum modo a limpar o palato; apresentação esmerada. «Chic a valer», teria exclamado Dâmaso. A justificar uma «saúde», com champagne Louis Roederer 2012, não ao Cohen, mas ao chef Hermínio Costa.

O facto de a sobremesa não estar descrita no romance, embora surjam muitas referências ao ananás, ditou a recriação de um clássico da pastelaria gaulesa: uma charlotte de ananás.

Para terminar em apoteose, com chartreuse, licores e cognac, um jantar com o glamour de 1871.

Na lista do restaurante, para além do serviço à carta, constam dois menus de degustação: com quatro momentos - verrine de lagosta, robalo de mar; Black Angus e baba au rum -- e com oito: verrine e robalo do mar mais a ilha flutuante, com bacalhau de cura amarela e vitela mirandesa, antes da seleção de queijos e da pera rocha do Oeste, com chocolate negro e crumble de especiarias.

Pratos concebidos com inovação, criatividade e apurada técnica culinária. Um jackpot de sabores neste restaurante onde o palato ganha, sempre que vai a jogo. Egoista, na Póvoa de Varzim.

Onde fica:
Localização: Edifício do Casino da Póvoa de Varzim, 4490-403 Póvoa de Varzim
Telef.: 252 690 888

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