TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

Genuíno homem do mar na onda dos sabores marinhos

Açoriano, com uma vida feita no mar, aventurou-se a dar sozinho, duas voltas ao mundo. Hoje, a sua história é um genuíno desfiar de memórias à mesa do restaurante que abriu na Horta.

Na rota dos velejadores que cruzam o mundo, os aventureiros como eram conhecidos os que demandavam a ilha açoriana do Faial, a cidade da Horta tem uma aura mágica, um encanto para os navegantes.

É um porto seguro para essa gente intrépida que foi alimentando o sonho de Genuíno Madruga: no 2000 fez-se ao mar, para dar a volta ao mundo a bordo do Hemingway, levando na parca bagagem a vontade indómita de concretizar uma quimera, idealizada desde o dia em que lera «O velho e o mar». O nome do barco foi a homenagem, um gesto de gratidão ao escritor da obra inspiradora da viagem que durou dois anos e terminou em apoteose.

O caso não era para menos: fora o primeiro português a cruzar, em solitário, o cabo Horn, viajando do Atlântico para o Pacífico, lá no fundo da Patagónia, onde, segundo contou, há uma comunidade lusa, que comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

Concretizado o sonho, o espírito aventureiro de Genuíno Madruga não ficou adormecido: em 2007 empreendeu nova viagem de circum-navegação, desta vez iniciada e concluída, dois anos depois, na ilha do Pico, onde nasceu, após passagem emotiva e apoteótica por Timor já independente.

Muitas das recordações dessas viagens fazem parte da decoração - quase espaço museológico -- do restaurante Genuíno, que o navegador solitário abriu na Rua Nova, na Horta.

Para ouvir: Genuíno homem do mar na onda dos sabores marinhos

Virado para o mar e para a encantadora baía de Porto Pim, apresenta ementa baseada nos produtos do vizinho oceano.

Para «embarque», sugerem-se queijo Morro ao natural ou com pimenta rosa e ervas; salada de atum fresco com molho vinagrete de nozes; lapas grelhadas ou gambas rosadas, com azeite, molho pimenta, alho e limão.

Nos pratos de resistência, há cataplana de cherne e caldeirada do Guernica, ambas para duas pessoas; atum da traineira; polvo à lagareiro; filetes de abrótea, acompanhados com migas de peixe e legumes salteados; almôndegas de atum com puré de batata-doce e molho de tomate e cicharrinhos com molho cru e migas. Frescos e com fritura ideal, apresentaram-se em grande nível.

Os arrozes de polvo ou de peixe são, igualmente, propostas interessantes.

Para grelhar, não faltam opções: cherne; goraz; pargo ou, em alternativa, bife de espadarte e naco de atum com batata de ervas.

Nas carnes, as propostas são bifes: de novilho, com molho pimenta ou chutney de maçã ou de pimentos, ou do lombo, com laranja e redução de vinho.

Para sobremesa, a «perdição do Genuíno: um bolo de chocolate com bola de gelado e crocante biscoito, ou a milonga: tarte de maçã com gelado de baunilha e chantilly.

Mais regional, o pudim de Inhame.

Boa garrafeira. Serviço simpático neste restaurante onde tudo é Genuíno: do dono à relação com o mar ali mesmo frente aos nossos olhos. Na Horta, ilha do Faial.

Onde fica:
Localização: Rua Nova, 9900-038 Horta
Telef.: 292 701 542

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