TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

O Afonso mantém estatuto

Em tempo de primavera, pujante e quente, de radiosos dias ensolarados, o Alentejo é uma das regiões onde o esplendor campestre atinge a plenitude. O chilrear da passarada e o colorido da planura despertam os sentidos para a beleza de uma região onde a água já não é miragem.

Por ali, o sol é implacável; o mercúrio sobe no termómetro, alcançando valores só atenuados pela frescura proporcionada pelas albufeiras das várias barragens dispersas pelo território alentejano.

Em Mora, no Alto Alentejo, o Fluviário, bem enquadrado num cenário refrescante, merece visita.

É um local quase obrigatório e que só encontra paralelo, em termos gastronómicos, na verdadeira instituição que O Afonso é naquele domínio.

Estabelecimento emblemático daquela vila, nasceu de uma história de amor, gerada em 1954. Desde então, a casa, localizada no centro de Mora, evoluiu à medida que ia sendo conhecida a excelência dos petiscos servidos no café de apoio à antiga pensão.

O estatuto de restaurante foi mais um passo nesse percurso de afirmação da casa que, há mais de uma década, ganhou um espaço contíguo, de aspeto rústico, muito confortável, com arcadas em tijolo. As mesas, bem aparelhadas, refletem o cuidado colocado nos pormenores.

A ementa permaneceu fiel aos princípios da boa cozinha transtagana.

O capítulo de entradas é, no mínimo, tentador; ovinhos de codorniz com azeite e coentros; orelha de porco; queijinhos; paio e e presunto de excelente qualidade e as imperdíveis empadas, uma especialidade com fama comprovada.

A cozinha alentejana é ali tratada com carinho e rigor: boas matérias-primas e confeção apurada, seja na deliciosa sopa de cação ou nos pezinhos de coentrada e no achigã grelhado.

Em dias mais fresquinhos, as migas surgem em grande estilo e em várias opções: com espargos; de tomate ou gatas com carne de alguidar.

Na época da caça, a ementa ganha, igualmente, outro fulgor e suscita procura alargada. Para além do arroz de lebre, referência especial para o pombo bravo e, muito em particular, para a perdiz à D. Bia.

Receitas que consagram os dotes culinários e a dedicação de quem, pelas suas mãos e saber culinário, transformou um modesto café, famoso pelos petiscos, em restaurante de projeção nacional.

Para terminar em grande estilo, o famoso queijinho de Mora, sobremesa imperdível deste restaurante com excelente garrafeira e serviço diligente.

O Afonso continua em boa forma, no centro de Mora.

Localização: Mora

Contacto. 266 403 166

GPS : 38.99454 N ; -8.16525 W

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