TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

O Diogo em patamar elevado

A ocupação romana na orla costeira nortenha, concretamente nos séculos III e IV depois de Cristo, deixou marcas perenes em Angeiras: uma dúzia de tanques para salga do peixe utilizado na confeção de garum, um composto tipo pasta muito apreciado na Roma antiga, comprovam o passado piscatório da localidade.

Praia e portinho de pesca, no extremo setentrional do concelho de Matosinhos, Angeiras tem velha e longa relação com o Atlântico, apesar da existência, nas redondezas, de grandes casas agrícolas, onde os então chamados "moços de mar" guardavam os apetrechos piscatórios e da apanha do sargaço e os barcos.

Memórias desses tempos estão hoje preservadas, com enquadramento museológico, nas Casas de Mar. um conjunto de construções tradicionais na parte sul de Angeiras.

A pouca distância desse núcleo museológico fica o restaurante O Diogo, onde o peixe e o marisco figuram em maioria na lista, refletindo a proximidade ao mar.

A esplanada coberta, resguardando das frias nortadas, é antecâmara da sala interior, espaçosa e muito confortável, que resultou da ampliação do restaurante aberto há cinco anos.

À entrada, do lado esquerdo, o expositor frigorífico é um mostruário de excelentes produtos do nosso mar.

Os tons claros da sala e a decoração contemporânea revelando bom gosto estão em sintonia com a correta amesendação.

Na mesa, ao estilo de boas-vindas, paté de atum, queijo fresco com nozes, orégãos e azeitonas temperadas. A broa de Avintes, cortada em tiras, acompanha aquele trio.

A lista é vasta e inclui peixe ao quilo para grelhar.

Nas opções para duas pessoas, a açorda de camarão revelou-se escolha acertada, não só pela impressão inicial, fiel á máxima "os olhos também comem" - sugestiva a apresentação, com o recheio do tachinho coroado com camarões descascados --- mas em particular pela adequada culinária e correta preparação. Excelente textura de sabores fez exultar o palato de satisfação.

É, sem dúvida, uma das especialidades da casa, a par do peixe galo frito com açorda.

No mini capítulo para dois comensais, referência para a massada de peixe e para os arrozes: de polvo com filetes do octópode; de tamboril com gambas ou de lavagante, neste caso por encomenda.

O bacalhau é proposto em três declinações: à Diogo (com puré e gambas); à lagareiro (com batata a murro e grelos) e com boroa.

Na carne, também para duas pessoas, o lombo de boi é omnipresente nos miminhos à chefe, ladeado com presunto; nos escalopes e no rosbife à inglesa.

Em dose individual, naco à Diogo e bifes: 5 pimentas com molho de natas e mostarda ou na frigideira com molho de vinho do Porto.

Os mariscos ampliam as opções de escolha.

Para terminar da melhor forma, como se lê na lista, nas sobremesas de fabrico próprio, afirma-se o soufflé de laranja para dias pessoas.

Carta de vinhos de muito bom nível: diversificada, abrangendo todas as regiões, e extensa.

Serviço muito simpático, eficiente e competente. O Diogo revela, pela qualidade dos produtos, da cozinha e do atendimento muito saber de experiência feito. Uma virtude espelhada na liderança deste restaurante em Angeiras.

Onde fica?

Localização: Angeiras (Matosinhos)

Contacto: 220 133 556 ; 934 477 502

GPS : 41.26245 N ; -8.72476 W

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