TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

O novo Tempo bracarense

A tradição gastronómica de Braga, cidade pujante e cosmopolita, universitária e turística, tem fortes raízes na culinária minhota. Os novos tempos, trouxeram a modernidade ao mundo da restauração local; públicos diferentes e outras abordagens.

Para um quarteto de empresários locais, era chegada a hora de abrir um restaurante com uma cozinha que contemplasse diferentes tipos de clientes. Era tempo de fazer diferente para um público mais exigente. Para ter tempo para desfrutar.

Assim nasceu o restaurante Tempo. Um projeto ambicioso, desenhado no espaço ocupado, durante mais de um quarto de século, pelo congénere Quinta da Capela.

Em novembro de 2021 abriu um espaço totalmente novo, com capacidade para 46 comensais, pleno de modernidade e bom gosto, ampliado pela esplanada onde uma oliveira simboliza longevidade. Uma sala mais reservada, através de porta envidraçada de correr, com uma mesa versátil, oferece 14 lugares

Decoração aprimorada, isolamento acústico bem conseguido, até em termos visuais, com a cortiça aplicada no teto.

Elevado nível de conforto; boa cozinha e serviço exemplar formam a trilogia deste restaurante bracarense, onde o chef Hugo Teixeira dirige a cozinha.

O conceito de família, reunindo gerações à mesa, é a base da lista, que reflete uma cozinha tradicional feita com inovação e criatividade, apostando nos produtos da região.

Os ovos rotos com presunto alentejano, cogumelos e farinheira -- algo diferente do que é habitual --, e os inusitados rissóis negros com tinta de choco são um caso de grande sucesso, a par dos croquetes de carne com pickles de mostarda, herdados do senhor Matos, o antigo proprietário.

Da velha casa transitou o bacalhau à Quinta da Capela, confecionado à moda de Braga, mas com um toque diferente: a cebolada com presunto é refrescada com pickles e salsa e a gelatina do bacalhau, confitado em azeite, faz osmose com as batatas fritas às rodelas.

As receitas tradicionais são memória nesta casa. O cabrito assado no forno é o prato de excelência ao domingo, uma aposta do chef que manteve as raízes, mas criou um lado diferenciador, expresso no tataki de picanha grelhada ou no tornedó de foie gras e trufa com rosti de batata.

Para partilhar, há dezena e meia e sugestões: mini tacos de carne com trufa e mousse de lima; gambas em massa kadaif e molho agridoce; carpaccio de carne, maionese de alcaparras e parmesão são algumas propostas.

Do mar, vêm o robalo e as gambas para o arroz fresco, servido em tacho. Arroz carolino bem confecionado, cozedura no ponto, muito saboroso.

Neste capítulo há pratos de polvo e de bacalhau - o gadídeo é demolhado no Gerês em água corrente -- e cataplana de peixes e marisco.

Da terra, são variadas as sugestões. Ao almoço, no menu do dia podem surgir massa à lavrador; arroz de cabidela; rancho. Há risotos e pastas e uma proposta vegetariana.

Nas sobremesas, o tradicional bolo de ananás e gelado de baunilha refresca o palato no final, apoteótico, de uma refeição que expressa tradição e contemporaneidade.

Carta de vinhos equilibrada. Serviço atento e simpático. Em Braga, o restaurante Tempo está na ordem do dia.

Localização: Braga

Contacto: 967 595 644

GPS: 41.53817 N ; -8.41058 W

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de