TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

Petiscos e sabores algarvios no cais ferroviário de Olhão

Um restaurante olhanense, com vocação para petiscos e outros pratos regionais, é exemplo (mais um) de bom aproveitamento de instalações ferroviárias votadas ao abandono. Interior moderno; esplanada agradável e uma cozinha simples, que trata bem os produtos algarvios.

«Pela portinhola do comboio vou seguindo a paisagem de figueiras e vinhas que desfila. De um lado, o céu doirado e violeta, do outro, todo roxo.
Ao longe, e sempre, acompanha-me o mar, que mistura o seu hálito a esta luz vivíssima».

A viagem de Raul Brandão por terras algarvias, descrita em Os Pescadores, encanta o escritor: «Os nomes das estações têm um sabor a fruto maduro e exótico: Almancil-Nexe, Diogal, Marchil...»,

Olhão é, certamente, mais um na linha férrea que chegou em 1904 à outrora vila cubista, assim conhecida pelas açoteias, os terraços no topo das casas.

A ferrovia era sinal de progresso; hoje, é exemplo, à escala nacional, de abandono, de desinvestimento.

Os comboios ainda circulam na linha do Algarve, região turística por excelência. Na estação da cidade onde eclodiu, em 1808, a revolta contra os franceses, o velho armazém de mercadorias foi restaurado e transformado em restaurante.

Para ouvir: Petiscos e sabores algarvios no cais ferroviário de Olhão

Moderno, acolhedor, com paredes em pedra, uma larga vidraça para ver passar os comboios, poucos e ronceiros. Mesas e cadeiras em madeira castanho claro.

A um canto, a salamandra dá garantias de aconchego nas noites mais frias no Petiscais, aberto em meados de 2017. O espaço interior é algo acanhado, mas a esplanada garante maior desafogo. Mesmo ao lado, um parque de estacionamento é inegável mais-valia numa cidade onde escasseiam lugares para deixar as viaturas.

O nome do restaurante indicia vocação petisqueira e a lista confirma o pressentimento: há muitos e saborosos petiscos e sugestões diárias para agradáveis momentos à mesa.

A começar pelo atum braseado com sementes de sésamo ou pelo sugestivo pica-pau terra e mar.

A escolha é tão alargada, quanto difícil: salada de atum fresco com abacate e manga; ovinhos com farinheira ou berbigão à Bulhão Pato.

Nas propostas mais emblemáticas incluem-se os biqueirões albardados; a açorda de camarão, verdadeiramente divinal; feijoada de polvo e o lombo de novilho na tábua com vinho do Porto.

O prego de atum na frigideira e o xarém com camarão insinuam-se como opções particularmente saborosas, destacando-se de eventuais alternativas diárias: peixe frito com arroz de tomate; filete de peixe aranha; bifinhos do cachaço acompanhados com salada; caril ou espetadinhas de peru com ananás; lombinhos de novilho grelhados com pimentão; tirinhas de carne com legumes salteados.

Para um doce final, o gelado de figo e amêndoa, coroado com hortelã, é boa sugestão.

Garrafeira suficiente. Serviço muito simpático neste restaurante onde a simplicidade é um trunfo da cozinha no tratamento de bons produtos.

Motivos de sobra para embarcar numa agradável viagem ao mundo dos sabores algarvios. Petiscais, na estação ferroviária de Olhão.

Onde fica:
Localização: Av. Dos Combatentes da Grande Guerra, Estação Ferroviária de Olhão - Cais Coberto, 8700-440 Olhão
Telef.: 918 707 936

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de