TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

Um cais do mundo

Para lá do Marão, há muito que os comboios deixaram de circular. De norte a sul, a ferrovia é hoje quase só memória dos tempos em que o comboio levou progresso e encurtou distâncias.

Em julho de 2010, com o encerramento definitivo do último setor da Linha do Corgo, Vila Real deixou de contar com o comboio, 104 anos volvidos sobre a inauguração do deslumbrante troço de 25 quilómetros, de via reduzida, entre a Régua e a capital transmontana.

A estação fechou, mas o velho armazém de mercadorias foi readaptado, graças a um projeto marcado pela criatividade e inovação.

O Cais da Villa manteve, no exterior, a arquitetura original; o interior foi transformado em restaurante, bar de vinhos e garrafeira. Uma agradável esplanada completa o harmonioso conjunto, onde prevalecem os tons escuros, a madeira e os espelhos.

Aberto há 12 anos, o restaurante, muito confortável; decoração sóbria e moderna; ambiente informal, é ponto de partida para uma viagem de sabores com memória.

A cozinha revela criatividade e tem assinatura do chef Daniel Gomes, autor de pratos elaborados com base em produtos regionais, recurso a técnicas modernas e apresentados de modo sugestivo.

Para começar, um agradável naipe de boas-vindas, com apresentação cativante: pasta de beringela assada, requeijão e sementes de girassol sobre uma folha de endívia.

Muita frescura na tartelete de massa brie, puré de abacate, terrina de camarão e pimentos; saborosa a terrina de ovas de truta e gel de côco; mais consistente, o mini-hambúrguer de alheira de caça com maionese de alho negro.

Nas entradas, brilhou a grande altura o carpaccio maronês com queijo Terrincho e rúcula, que antecedeu o tataki de atum.

O tunídeo é grelhado em azeite e alho e vai ao forno, o que confere um sabor incrível ao peixe.

A trilogia de entradas ficou completa com cogumelos portobello e shitaqui que expressaram tempero aprimorado.

Excelente harmonização com o Vinha da Meruge 2020, um 100% cento Viosinho da Lavradores de Feitoria.

No reino dos clássicos, destaque para a cataplana de bacalhau, com grão de bico, couve e ovo a baixa temperatura.

Nos pratos de carne, nota elevada para vazia rubia galega maturada a 45 dias, acompanhada com cogumelos, pimentos de Padrón e batata ao alho. Bom tratamento culinários, ingredientes de qualidade a resultarem em excelente textura de sabores. Harmonização sublime com o Quinta da Costa das Aguaneiras 2018 tinto, um verdadeiro clássico do Douro da Lavradores de Feitoria.

A lista apresenta várias alternativas, para além dos menus executivo e vegetariano.

Nas sobremesas, destaque para o pão de ló e para a tarte folhada de maçã com gelado de baunilha e molho de caramelo.

Excelente carta de vinhos, com indicação do ano, castas e enólogo.

Serviço competente neste Cais que não é só da Villa, mas do mundo. Apetece lá chegar; mas... sair, nem por isso!

Localização: Vila Real

Contacto : 259 351 209 ; 963 928 050

GPS : 41.29377 N ; -7.73974 W

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