TSF Futebol Feminino

Futebol sem eles… Porque elas também jogam nesta rádio. Às segundas-feiras, as contas de cada jornada da Liga BPI, e às sextas, a antevisão dos grandes jogos do fim de semana. Com Tiago Santos.
À 2ª e 6ª feira, às 16h50.

Futebol feminino: UEFA e FIFA dão o empurrão final

Europa tem plano duplicar atletas federadas em cinco anos e a FIFA conseguiu há dias uma vitória fundamental no Irão

Em maio último, a UEFA deu aquele que poderá será o derradeiro passo para a explosão do futebol feminino na Europa, e por arrasto no planeta, com o lançamento de um documento estratégico chamado "Tempo de Ação". O objetivo deste programa a cinco anos é duplicar para 2,5 milhões o número de atletas federadas entre os 55 países membros, garantindo, por exemplo, que todos os clubes participantes na Liga dos Campeões tenham equipas femininas.

É um salto gigantesco desde que, em 1885, as inglesas foram convidadas a assistir ao jogo, sem pagar bilhete, porque se entendia que a presença delas melhoraria o comportamento dos homens. Menos de dez anos depois, elas já tinham passado para dentro do campo e durante a I Grande Guerra foram mesmo encorajadas a jogar - elas que, com os homens na frente de batalha, preenchiam as vagas nas fábricas de munição. Mas a guerra foi apenas um intervalo. Combatido desde sempre por várias entidades, desde as federações até aos governos, passando pelos médicos, que achavam o jogo demasiado violento para as senhoras, o futebol feminino rapidamente foi boicotado.

Em Inglaterra, entre 1921 e 1971, os clubes estiveram proibidos de ceder os seus campos às equipas de mulheres e, no Brasil, o presidente Getúlio Vargas fez mesmo publicar, em 1941, um decreto-lei que proibia as competições oficiais de senhoras, decreto que só viria a ser revogado em 1979. Nessa altura, o mundo já abrira o espírito há muito. Em 1970, a Itália, que no ano antes vencera uma espécie de precursor do campeonato da Europa, introduziu o profissionalismo. Meses depois, já em 1971, a UEFA acordou para o fenómeno com a proposta de desenvolvimento do futebol feminino aos seus países membros.

Mas só na década de 1980 o jogo ganhou verdadeira visibilidade planetária, mais uma vez com a UEFA na frente da corrida. A primeira competição oficial de seleções foi o Europeu, em 1982. Em 1988, a FIFA ensaiou um primeiro torneio mundial, na China, e em 1991 lançou o primeiro campeonato do mundo, no mesmo país. A Alemanha (oito títulos) é recordista do Europeu e os Estados Unidos (quatro) detêm o registo máximo no Mundial.

Em Portugal, a primeira competição que designava o campeão nacional disputava-se por eliminatórias e chamava-se Taça Nacional. Durou de 1985 até 1992, altura em que foi lançado o genuíno campeonato, por jornadas, que neste momento se chama Liga BPI. União 1º de Dezembro (12 títulos) e Boavista (11) dominaram as duas primeiras décadas, enquanto, cá dentro e lá fora, a modalidade continuava a desenvolver-se, com a criação da Liga dos Campeões Europeus, em 2001, da Taça de Portugal (2003) e da Supertaça de Portugal (2015). Designado prioritário por Fernando Gomes, atual presidente da Federação, o futebol feminino recebeu um enorme incremento nos últimos quatro anos, com a integração de grandes clubes, como Braga, Sporting e Benfica. Os números dispararam. Durante esse período, os clubes com escalões femininos de formação subiram de 21 mil para 35 mil e, à data de outubro de 2019, havia 6343 atletas inscritas na FPF, mais 10% do um ano antes e quase o dobro das que existiam em 2016. Na Seleção Nacional, o marco histórico atingido foi o apuramento inédito para o campeonato da Europa de 2017.

Lá fora, vão caindo entretanto as últimas barreiras. Em setembro de 2019, uma jovem iraniana condenada a uma pena de prisão por ter entrado num estádio disfarçada de homem imolou-se diante de um tribunal de Teerão, o que levou a FIFA a pressionar o Irão, com êxito. No dia 10 de outubro, o governo iraniano permitiu que as mulheres assistissem a um jogo da seleção com o Camboja e anunciou que a proibição estava definitivamente levantada. Na UEFA, o impulso prossegue com o anúncio de que as verbas a distribuir pelas federações para o desenvolvimento do futebol feminino sobem de 50 para 150 mil euros anuais a partir de 2020 e está praticamente assente que novas medidas serão tomadas a médio prazo para forçar, pelo menos, todos os clubes de topo a terem equipas de mulheres e escalões de formação.

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