TSF Pais e Filhos

Como a intuição não chega e eles não nascem com livro de instruções, a TSF propõe um programa para partilhar ideias, conselhos de quem sabe (desde os conselhos técnicos de pediatras e psicólogos, aos conselhos de pais), propostas de lazer, de brincadeiras, de passeios e reportagem. Sem nunca deixar de responder às dúvidas dos pais, vamos também ouvir os filhos. Com coordenação de Rita Costa.
De segunda a sexta, às 08h40, com repetição às 16h40. Edição alargada à terça-feira, às 18h45.

"Adolescentes podem ir a uma consulta de planeamento familiar sem autorização parental"

Com a pandemia, as consultas de planeamento familiar nos cuidados de saúde primários do setor público diminuíram, mas é importante regressar, defende Fátima Palma, presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção. Lembra que os mais novos devem usar estas consultas para evitarem gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis.

Um estudo realizado pela Sociedade Portuguesa de Contraceção verificou que a procura de consultas de planeamento familiar diminuiu durante o primeiro confinamento. Não se sabe ainda se houve um aumento de gravidezes indesejadas ou se houve mais diagnósticos que ficaram por fazer, mas sabe-se, por exemplo, que as mulheres passaram a usar mais a pílula e menos métodos contracetivos de longa duração. Também por isso, Fátima Palma defende que, no caso das adolescentes - que são "más utilizadoras dos métodos contracetivos", porque se esquecem de tomar as pílulas ou tomam dois meses e depois deixam de tomar, não dando continuidade -, é importante aconselhá-las a procurar as consultas de planeamento familiar.

Estas consultas, lembra a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção, têm um caráter preventivo e os jovens podem procurá-las em qualquer centro de saúde. Não é necessário que seja no centro de saúde da área de residência, nem é necessária a autorização dos pais. "Todos os adolescentes em idade fértil podem ir a uma consulta de planeamento familiar sem autorização parental." Esta liberdade de escolha surgiu para incentivar os adolescentes a irem às consultas evitando eventuais constrangimentos. Ao fazê-lo, podem evitar gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis.

"Enquanto nas mulheres mais velhas a influência em relação ao método (contracetivo) que vão utilizar é muito feita pelos médicos, pelos ginecologistas ou pelos médicos de medicina geral e familiar, os influenciadores dos mais jovens são, habitualmente, os amigos ou os namorados", afirma Fátima Palma, que sublinha a importância de esta ser uma influência que deve ser informada e que ninguém melhor do que um médico pode exercê-la.

E qual deve ser a regularidade destas consultas? "No geral, não deve ultrapassar o ano e meio, dois anos", responde a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção, que explica que cada situação depende da idade e das queixas da pessoa em questão. "Quando se inicia um método contracetivo, deve haver uma primeira consulta e, idealmente, deve haver uma outra três a quatro meses depois, para verificar se está tudo a correr normalmente."

E as consultas de planeamento familiar são só para mulheres? "Hoje em dia, o que se pretende é que as pessoas tomem conta da saúde sexual e reprodutiva e não seja só uma consulta para planear a sua família , é um bocadinho mais lato do que isso, portanto, teoricamente, deviam chamar-se consultas de saúde sexual e reprodutiva e não, não deviam ser só para mulheres." Para Fátima Palma, estas consultas deviam ser também para os rapazes. "Podia ser uma excelente oportunidade não só para o rastreio das infeções de transmissão sexual, mas também para a sua prevenção e para eles participarem na decisão contracetiva", defende.

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