TSF Pais e Filhos

Como a intuição não chega e eles não nascem com livro de instruções, a TSF propõe um programa para partilhar ideias, conselhos de quem sabe (desde os conselhos técnicos de pediatras e psicólogos, aos conselhos de pais), propostas de lazer, de brincadeiras, de passeios e reportagem. Sem nunca deixar de responder às dúvidas dos pais, vamos também ouvir os filhos. Com coordenação de Rita Costa.
De segunda a sexta, às 08h40, com repetição às 16h40. Edição alargada à terça-feira, às 18h45.

Educação socioemocional na escola  

Identificar emoções e ajudar as crianças a lidarem com elas. É o objetivo do Programa Calmamente, um programa de educação socioemocional apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian que já está a funcionar em quatro escolas públicas do país.

O programa Calmamente foi criado pela Associação Mente de Principiante e está a funcionar desde o início do ano letivo em quatro escolas do Agrupamento de Escolas Abel Salazar, em Matosinhos, distrito do Porto. "É um programa que foi criado para implementação em contexto escolar e que foi desenvolvido com o se fosse uma viagem ao longo da qual os alunos, crianças e jovens vão adquirindo competências socioemocionais que levam para a vida", começa por explicar Andreia Espain, professora e coordenadora do programa Calmamente.

Semanalmente, as turmas envolvidas no projeto (turmas do 3.º, 4.º e 5.º anos de escolaridade) recebem a visita de uma facilitadora da Associação Mente de Principiante, responsável pelo programa, que em coordenação com o professor titular da turma dinamiza as sessões. Andreia Espain revela que as sessões têm várias dinâmicas específicas e o objetivo é trabalhar "desde o autoconhecimento, a autorregulação, o conhecimento das emoções à tomada de decisões responsáveis".

Nestas aulas, que integram o horário curricular de crianças dos 8 aos 12 anos como disciplina nuclear, trabalham-se as emoções básicas: a alegria, a tristeza, o medo e a raiva. O ponto de partida, explica a professora, é o reconhecimento da emoção.

"Pelo reconhecimento de que é uma emoção que existe, que não podemos deixar de ter, não depende de nós, podemos é depois reconhecer tudo aquilo que vem com o medo como, por exemplo, a reação física, para percebermos como é que a emoção funciona em cada um de nós", adianta Andreia Espain que conta que os alunos são convidados a partilhar o que sentem e como é que para eles se apresenta aquela emoção e a partir daí é feita uma conversa. O objetivo é que cada um dos alunos tome consciência das emoções e depois aprenda a lidar com elas.

A experiência já permitiu identificar as emoções com as quais as crianças e jovens têm mais dificuldade em lidar. "Temos percebido que a raiva talvez assuma aqui maior dificuldade de gestão, muitas vezes até por eles próprios não conseguirem identificar porque é que aquelas situações acontecem e porque é que reagem daquela forma. Nesta fase (de pandemia) o medo também assume alguma importância muito pelo medo do desconhecido por aquilo que está a acontecer, aquilo que conhecíamos como certo e agora se revela muito incerto, mas talvez a raiva seja a eleita para aquela que eles próprias apontam e que, por outro lado, tem tido mais apoio das ferramentas que lhes vamos passando", revela Andreia Espain. Nas aulas, a raiva tem sido apontada pelos alunos como aquela emoção que já começam a conseguir gerir de uma forma mais saudável, com menos agressividade.

O Instituto Universitário da Maia está a acompanhar o projeto para no final fazer uma avaliação. O objetivo, explica Andreia Espain é, através de uma entidade independente, perceber quais foram os resultados da implementação do Programa Calmamente.

O projeto tem o apoio e cofinanciamento da Fundação Calouste Gulbenkian e a Associação Mente de Principiante acalenta agora a esperança de ver o ministério da educação a reconhecer a validade deste tipo de programas e a importância das escolas apostarem também no desenvolvimento emocional e social das crianças e jovens.

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