Um dia de cada vez

O que é preciso é viver Um Dia de Cada Vez! O que é preciso é dizer Um Dia de Cada Vez. A jornalista Teresa Dias Mendes abre a janela da rádio e interroga a dura prova da passagem dos dias: os receios, os novos desafios, o modo como se resiste a um isolamento exigente.
Para ouvir de segunda a quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

Entre o Pilates e a reflexão

A quarentena de Ana Gomes devolveu-lhe o tempo que a política no Parlamento Europeu confiscou ao exercício físico. Vai cuidando da saúde mental, e das articulações, enquanto o cérebro oxigena as ideias e a ponderação necessária, para decisões maiores. Sem pressa, de avançar para uma candidatura presidencial, se for essa a próxima batalha, confessa que também gosta de dar os seus mergulhos, mas nunca a veremos na fila do supermercado, em fato de banho, "seria indecoroso da minha parte, e nem tenho a invejável forma física do Presidente Marcelo".

"Eu às compras vou, mas não ando de fato de banho, seria no meu caso indecoroso", responde entre sorrisos, perante a pequena provocação de uma fotografia que já correu mundo. Ana Gomes saúda a iniciativa de Marcelo, que considera genuína, e até mostra "a tranquilidade de um país em que um Presidente pode estar na fila do supermercado, aguardando pela sua vez". No seu caso, a comunicação passa por outros filtros, "cada qual tem o seu estilo, e o meu, já é para muita gente, bastante inconvencional".

Mergulhemos pois, um mergulho rápido, na reflexão que faz sobre uma candidatura presidencial: "Não tenho pressa. As eleições são daqui a 8 meses, estou a pensar". E até lá, também Ana Gomes há-de entrar no mar, que vê lá ao fundo, do jardim de sua casa, em Sintra. Fala-nos por isso de um confinamento que está longe da tormenta sentida por muitas famílias portuguesas, " enfrentei isto como tantas famílias, estamos na mesma tempestade, mas com barcos diferentes".

Para ouvir: Um dia de cada vez com Ana Gomes

Um dos planos era escrever um livro. Era, mas não conseguiu descolar das notícias do dia a dia, da nova realidade que se entranhou na quarentena, e o livro fica de novo adiado. Será a sua experiência, o seu olhar, o seu testemunho sobre o ano de 1999, em Jacarta, durante o processo da independência de Timor Leste, "sinto que tenho a obrigação de escrever sobre aquele tempo, mas não fui capaz". Foram, assume sem meias palavras, " os seus melhores anos na diplomacia". Tanto assim que depois de Jacarta, onde permaneceu 4 anos, sentiu que nenhum outro posto "lhe encheria as medidas". E suspendeu a carreira diplomática, até hoje. Primeiro foi o convite do PS para a direcção do partido, e o resto é tão público quanto notório. Está na política a tempo inteiro desde 2003.

"No dia em que eu abandonar a política, estou morta. Não faz o meu género".

Ana Gomes lamenta que o Partido Socialista, não tenha fóruns ou palcos onde a sua experiência, sobretudo os 15 anos de Parlamento Europeu, possa ser um acrescento, um contributo, para um debate que faz falta a todos os partidos, " mas não há, não há", resigna-se, sem vacilar no olhar curioso, e na vontade de intervenção cívica e política, "não me concebo doutra maneira".

Vai compensando com a participação em debates europeus, e o confinamento não lhe adormeceu os sentidos. No PS, sempre, podia ser um slogan para a vida, afirmando que é ali que estão os ideais com que se identifica, respondendo que nunca pensou deixar o partido, " sou inconveniente para muitos, mas é ali que me vejo a defender as minhas posições. O combate tem de ser feito".

As saudades de abraçar os netos, os cozinhados que acrescentaram uns quilos nas últimas semanas, à forma física que já estava abandonada desde Bruxelas, o Pilates retomado com um PT, a disciplina de resistir, agora que não pode saltar para o terreno, seja o destino a uns quilómetros ou a muitas milhas de distância. E tempo ainda para umas braçadas pela memória da atleta que foi ainda miúda, quando fazia ginástica e patinagem no Benfica, e mais tarde natação, no Sport Algés e Dafundo. Tem as costas largas, "e tem-me dado muito jeito na política".

Um dia de cada vez é um programa de Teresa Dias Mendes. Pode ser ouvido na íntegra, de segunda a quinta, depois das 19h00, na antena da TSF e em TSF.PT - Um dia de cada vez

* Nota do Editor: a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

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