Um dia de cada vez

O que é preciso é viver Um Dia de Cada Vez! O que é preciso é dizer Um Dia de Cada Vez. A jornalista Teresa Dias Mendes abre a janela da rádio e interroga a dura prova da passagem dos dias: os receios, os novos desafios, o modo como se resiste a um isolamento exigente.
Para ouvir de segunda a quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

Socialização e afecto

Joana Vilares tem 36 anos e é assistente social. Trabalha nas equipas de rua que giram por Vila Nova de Gaia. HÁ 12 anos que é assim. A Joaninha ou a Dra. pequenina, como muitos lhe chamam.

A trabalhar junto da população toxicodependente, Joana Vilares acena com um apelo: "precisamos de máscaras comunitárias e de álcool gel" ,para distribuir pelos utentes desta rede de rua. A quem possa ceder, ela, e a equipa, agradecem.

R3- Riscos Reduzidos em Rede, é uma rede que cuida. Através da partilha de boas práticas, a rede estende-se pelo país e instala-se com unidades móveis junto das populações mais vulneráveis.

Joana Vilares trabalha em regime de proximidade com os toxicodependentes, "pessoas isoladas que não recorrem a respostas de tratamento". O objectivo é fazer chegar os serviços sociais e os serviços de saúde a esta comunidade. A Covid acrescentou preocupações, e esta é a linha da frente da assistente social, "sempre entendemos que éramos um serviço essencial, como os hospitais e os centros de saúde".

As equipas já usam material de protecção, por causa da tuberculose, "numa fase inicial tínhamos em stock, depois pedimos à ARS e mobilizámos outros recursos". Joana Vilares agradece à Fundação Gulbenkian, parceiro da APDES, a Associação Piaget para o Desenvolvimento, para a qual trabalha, pela ajuda prestada através da plataforma Geofundos, que permite o acesso a financiamento.

Educação para a saúde, consumos mais responsáveis, kits de higiene com mascara e gel, evitar aglomerados junto às unidades móveis, foram estes os cuidados numa primeira fase. "Não é fácil, esta é uma população com manias e teimosias, nem sempre a mensagem entra com tanta facilidade", explica a assistente social. Muitos ficaram sem o apoio do sr. do café, ou da vizinha que dava uma comida, e agora têm medo, ou até da moedinha do estacionamento.

Para muitos o contacto com as equipas de rua é o único momento de socialização, o único olhar de afecto. Joana faz questão de dizer que não faz caridade, "é um serviço fundamental para todos, cuida da saúde e do bem estar de toda a sociedade". Costuma dizer também, que é praticamente conhecida por todos os consumidores do Porto e arredores. GiruGaia, é o projecto que abraça nos últimos anos," giramos pelo território, giramos por todas as freguesias". Daí a Joaninha ou a Dra. Pequenina.

Tem 2 filhos, um com 3 e outro com 1 ano. O mais velho já faz perguntas, e ela explica que "trabalha com uns senhores que não têm casa". Em Março, com o encerramento das creches ficou por casa com os miúdos, e foi surpreendida com as "casas" construídas pelo pequeno. Juntou peças de Lego e entregou à mãe, "assim já não precisava de ir trabalhar mais", explicava o filho garantindo que tinham muita cola. Quando voltou ao terreno, em Abril, criou novas rotinas. Chegar a casa, pé ante pé, despir-se à porta, ir para a banheira, e só depois o contacto com os filhos.

"Adoro o meu trabalho", responde sem vacilar, mas a rede precisa de ajuda. Não há como garantir máscaras comunitárias para os seus utentes sem mãos amigas. A ideia é criar um Kit que inclua o tão precioso álcool gel, "para nós temos, para eles o material está a acabar, e sabemos que não o podem adquirir". Joana Vilares deixa o apelo e o contacto: riscos reduzidos em rede@gmail.com.

Um dia de cada vez é um programa de Teresa Dias Mendes. Pode ser ouvido na íntegra, de segunda a quinta, depois das 19h00, na antena da TSF e em TSF.PT - Um dia de cada vez

* Nota do Editor: a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

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