Um dia de cada vez

O que é preciso é viver Um Dia de Cada Vez! O que é preciso é dizer Um Dia de Cada Vez. A jornalista Teresa Dias Mendes abre a janela da rádio e interroga a dura prova da passagem dos dias: os receios, os novos desafios, o modo como se resiste a um isolamento exigente.
Para ouvir de segunda a quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

"Andrá tutto bene"

"E fez-se tempo...". Cada um em sua casa, Cristóvam, na ilha Terceira, nos Açores, e Pedro Varela no Estoril uniram palavras e imagens. Tudo começou numa folha de papel, com um verso.

"Tempos em que a distância significava amor"... Foi assim que as palavras se começaram a juntar na cabeça do músico português Cristóvam, "when distance meant love and it kept us alive...".

Primeiro era só uma canção, depois ganhou vida. A vida de todos nós, de todos os que espalhados pelo mundo vivem este isolamento social. Pedro Varela, pegou na letra e deu a volta ao mundo a partir de casa. Filmou, realizou, acrescentou.

Estavam os dois de quarentena, havia tempo. Agora, confessam que já estão mais ocupados do que antes. O projecto afastou-os de todos os planos que levaram para estes dias, feito "em tempo explosivo", os dois não conseguem somar o tamanho do mundo que já o viu e ouviu.

Só nas páginas oficiais do músico, contam mais de um milhão e meio de visualizações. E um retorno que não se contabiliza com números, "hoje acordei mais feliz", vão lendo nas muitas mensagens que lhes chegam.

Sem truques nem patrocínios, entregaram-se de corpo e alma.

Falo com os dois via Skype. Cristóvam está no estúdio com a sua guitarra, Pedro Varela na sala de casa. E quero saber quem é a "personagem" que nos vai passando cartões com pedaços da letra da música. Chama-se Cloe, é portuguesa, vive em Paris e é realizadora. Pedro Varela pediu a Cristóvam que confiasse nele. E confessa que se inspirou no vídeo de Bob Dylan, de 1965, "Subterranean Homesick Blues", " para mostrar a força das palavras escritas à mão, "faltavam-me olhos a olhar para mim".

Depois vieram as legendas, em várias línguas, e foi preciso convencer o músico.

Pedro Varela argumenta que nem todos sabem falar inglês, e que era importante chegar a todos, Cristóvam temeu que a rima e a poesia vacilassem na tradução, mas acabou por concordar, "vivemos todos na mesma ansiedade".

Pode o nome de Cristóvam ser uma revelação para muitos portugueses. Afinal o músico que há dois anos venceu o International Songwriting Competition, (o Tom Waits estava no júri) canta sempre em inglês. Porquê? É uma outra história...

"Na minha ilha há uma forte influência da cultura americana, por causa da base das Lajes", explica ele, lembrando a infância em que os miúdos aguardavam o fim de semana, ansiosos, "era como ir para outro país". O inglês, é simplesmente a forma mais genuína de se expressar.

Quanto a Pedro Varela, para lá de muitas campanhas publicitárias, assinou séries como "Os Filhos do Rock", ou "Filha da Lei" e filmes como "A Canção de Lisboa". Está agora a rodar um filme debruçado sobre a violência sobre as mulheres, no Rio de Janeiro. Cristóvam prepara um segundo disco. Não teremos tempo para falar sobre os projectos em curso, mas ficamos a saber o que ouvem e do que falam neste período de quarentena.

Vai ficar tudo bem.

Um dia de cada vez é um programa de Teresa Dias Mendes. Pode ser ouvido na íntegra, de segunda a quinta, depois das 19h00, na antena da TSF e em TSF.PT - Um dia de cada vez

* Nota do Editor: a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

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