Um dia de cada vez

De novo obrigados a Um Dia de Cada Vez, de que fazemos os dias? A jornalista Teresa Dias Mendes reabre a janela da rádio e dá-nos a ver o modo como se resiste a um novo isolamento.
Para ouvir à quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

"Mudar o mundo a partir de casa"

Longe do laboratório, a cientista de Coimbra tem agora mais tempo para outras sementes. Entre vasos de malaguetas, frutas de bago ou amores-perfeitos, Manuela Grazina aromatiza a quarentena, "sejam felizes com o que têm à mão".

Há quase um mês que não vai ao laboratório de Bioquímica Genética, localizado no Centro de Ciências e de Biologia Celular, em Coimbra. Ali, ela veste a bata branca e dirige uma equipa dedicada ao diagnóstico e à investigação de doenças raras. O estudo e o acompanhamento de doentes, não lhe tira nem o sorriso, nem a "vaidosice".

Em casa, aligeira o dress code, mas esmera o cuidado na aparência, não dispensa o perfume, e os chinelos de quarto também "têm um saltinho". Quarentena não é desmazelo, e é sempre preciso "tentar ver o chocolate do outro".

Com o marido e com o filho praticam as rotinas de um dia de trabalho ou de escola. Sem esquecer o tempo do lazer.

Olhando para estes dias, como uma oportunidade de união e de preocupação pelo bem-estar do outro, "é a valorização que nos motiva, e a esperança, não nos deixa desistir". Comer bem, hidratar, contemplar, ler, ou plantar, o cérebro e o corpo reclamam mais atenção nestes dias de isolamento social, e a cientista lembra que o sistema imunitário pode ser recrutado para lutar contra o novo vírus.

A ansiedade, o medo, as 24 sobre 24 horas de partilha no mesmo espaço, todo este novo cenário acrescenta exigência, "as nossas mitocôndrias vão ter de trabalhar em esforço", avisa a cientista, falando das organelas celulares, responsáveis pela produção de energia, "a nossa central energética, que faz tudo funcionar".

No terraço, de onde vê a ponte de Santa Clara e o rio Mondego, sente-se privilegiada apesar dos tempos. Sejam plantas, flores, frutos ou ervas, o aroma é fundamental na vida de cada um. Gosta de semear amores-perfeitos e continua a sentir o perfume das rosas de Alexandria, a flor preferida desde a infância, e do jardim da avó Lucinda.

Mas agora é preciso "ser feliz com o que se tem à mão" e, em vez de ir mudar o mundo, "mudar o mundo a partir de casa".

Um dia de cada vez é um programa de Teresa Dias Mendes. Pode ser ouvido na íntegra, de segunda a quinta, depois das 19h00, na antena da TSF e em TSF.PT - Um dia de cada vez

* Nota do Editor: a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

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